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Dinheiro

Custo da infraestrutura de recarga no condomínio: de que é feito e o que encarece

Projeto, ART, quadros, cabos, eletrocalha, proteções, estações e gerenciador: o que compõe o custo da obra de recarga no prédio, o que faz o preço subir e como comparar propostas.

17 de outubro de 20268 min de leituraNível intermediárioPara síndico, construtora, integrador, projetista, administradora
Neste artigo
O que você vai entender
  • Quanto custa instalar carregador de carro elétrico no condomínio?
  • O que entra no orçamento da infraestrutura de recarga?
  • Por que o orçamento de um prédio é tão diferente do outro?
  • Precisa de aumento de carga para instalar carregadores?
  • Como comparar propostas de instalação de recarga?

Não existe preço de tabela para a recarga em condomínio, e desconfie de quem dá um valor por vaga sem ver o prédio. O custo depende principalmente de três coisas: quanto de energia sobra na entrada do prédio, a distância entre o quadro e as vagas, e quantas vagas a infraestrutura vai preparar. Este artigo não traz preços, de propósito: ele mostra de que é feito o orçamento, o que faz cada parte subir e como comparar propostas.

As duas partes do orçamento

Todo orçamento de recarga tem uma parte coletiva, que prepara o prédio, e uma parte individual, que liga cada vaga. Separar as duas ajuda a entender o preço e a decidir quem paga cada uma. Os modelos de divisão estão em rateio da infraestrutura de recarga.

  • Parte coletiva: entrada, quadro geral, caminhos de cabos, quadros por pavimento, gerenciador, projeto e ART;
  • Parte individual: circuito da vaga, proteções do circuito, estação e a instalação dela;
  • Custos recorrentes: plataforma, conectividade e manutenção, depois da obra.

Item por item: de que é feito o custo

Levantamento de energia
O que é:
Medir quanto o prédio usa e quanto sobra, de preferência por alguns dias
O que faz o preço subir:
Vários quadros a medir, acesso difícil
Projeto elétrico e ART
O que é:
Dimensionamento de cabos, quadros e proteções, assinado por responsável técnico
O que faz o preço subir:
Prédio grande, vários pavimentos, necessidade de aumento de carga
Adequação da entrada
O que é:
Mudanças no padrão de entrada ou na subestação, quando faltar potência
O que faz o preço subir:
Aumento de carga junto à distribuidora
Quadro geral da recarga
O que é:
Quadro que recebe a energia e alimenta os pavimentos, com proteções gerais
O que faz o preço subir:
Falta de espaço na sala de quadros
Caminho dos cabos
O que é:
Eletrocalha, perfilado ou eletroduto do quadro até as vagas
O que faz o preço subir:
Distância, rampas, vários subsolos, furação de laje
Cabos alimentadores
O que é:
Cabos de cobre do quadro geral até os quadros dos pavimentos
O que faz o preço subir:
Distância (queda de tensão) e corrente total
Quadros por pavimento
O que é:
Quadros de onde saem os circuitos das vagas
O que faz o preço subir:
Muitas vagas por pavimento
Circuito da vaga
O que é:
Cabo e proteções do quadro do pavimento até a estação
O que faz o preço subir:
Vaga longe do quadro
Estação de recarga
O que é:
Equipamento de 7,4 kW com protocolo aberto e homologação na plataforma
O que faz o preço subir:
Potência acima do que o carro aceita, recursos que não serão usados
Gerenciador e medição
O que é:
Equipamento que mede o prédio e reparte a sobra entre os carros
O que faz o preço subir:
Vários quadros e pontos de medição
Emergência e sinalização
O que é:
Seccionamento de emergência interligado ao sistema de incêndio existente, placas
O que faz o preço subir:
Exigências locais do Corpo de Bombeiros
Obra civil e acabamento
O que é:
Furos, fixações, pintura, proteção mecânica
O que faz o preço subir:
Estrutura que exige cuidado especial na furação
Testes e documentação
O que é:
Ensaios, comissionamento, projeto como construído
O que faz o preço subir:
Instalação grande ou feita em etapas
Lista típica. O escopo exato sai do projeto de cada prédio.

O item que mais pode pesar: faltar energia

O orçamento muda de patamar quando a energia que sobra no prédio não dá conta e é preciso pedir mais à distribuidora. A REN ANEEL nº 1.000/2021 manda comunicar a instalação da estação antes à distribuidora quando ela exigir aumento de carga, conexão nova ou mudança de tensão, e diz que os custos de adequar a rede e a medição seguem os critérios gerais da resolução.[1] Dependendo do prédio, isso pode envolver obra no padrão de entrada, transformador ou subestação.

A conta mostra por que isso acontece. Sem controle nenhum, cada estação precisa ter a sua potência garantida o tempo todo:

Todas as vagas ao mesmo tempo, sem gerenciador
Uma estação de 7,4 kW em 220 V: I = 7.400 W ÷ 220 V ≈ 33,6 A
60 vagas × 7 kW = 420 kW
420 kW em 220 V trifásico ≈ 1.100 A, só para os carros
Exemplo de cálculo. A potência real e a ligação de cada prédio saem do projeto.

A NBR 17019 aceita dois caminhos: dimensionar a instalação para todos os pontos ligados juntos na potência máxima, ou usar gerenciamento de demanda.[2] Não é 100% obrigatório ter gerenciador, mas na prática ele é: com muitos apartamentos, o primeiro caminho exige um aumento de carga que quase nenhum prédio consegue fazer. Com o gerenciador, a recarga usa a sobra que o prédio já tem, e a chance de dispensar o aumento de carga é muito maior. Ele entra no projeto desde o primeiro dia, porque muda o dimensionamento de cabos, quadros e proteções. Veja o que é um gerenciador de demanda e faça a conta na calculadora quantos carros meu prédio aguenta.

Distância, pavimentos e caminho dos cabos

Depois da energia, o que mais pesa é o caminho. Cabo de cobre é vendido por metro, e quanto maior a distância maior também a seção necessária para que a queda de tensão fique dentro do limite. Uma garagem em vários subsolos, com rampas e vagas espalhadas, pede mais eletrocalha, mais quadros e mais horas de montagem do que uma garagem térrea com as vagas perto da sala de quadros.

As normas de instalação pedem um circuito próprio para cada ponto de recarga, com as suas proteções.[2] É por isso que o quadro do pavimento fica perto das vagas: circuitos curtos saem mais baratos e mais fáceis de manter. O dimensionamento passo a passo está em dimensionamento do circuito da estação.

Proteções, estação e gerenciador

Proteções

Cada circuito leva disjuntor, proteção diferencial adequada à recarga de veículos e, conforme o projeto, proteção contra surtos. São peças que não dá para economizar: elas protegem quem encosta no carro e a instalação do prédio. O porquê de cada uma está em DR, DPS e disjuntores.

Estação

Em condomínio, a estação de 7,4 kW em corrente alternada resolve a recarga noturna da maior parte dos carros, que ficam horas parados na vaga. Comprar potência maior do que o carro aceita não acelera nada e encarece a estação e o circuito. Veja potência de recarga.

Para estações que não são de uso exclusivamente privado, como as rotativas, a REN 1.000/2021 exige compatibilidade com protocolos abertos de comunicação e de controle remoto.[1] Na prática, a estação precisa falar OCPP 1.6J e estar homologada na plataforma que vai controlar e cobrar. Estação que não atende a isso vira custo duas vezes: na compra e na troca. A lista de modelos está em compatibilidade.

Gerenciador e medição

O gerenciador precisa medir o que o prédio está consumindo. O custo depende de quantos quadros e pontos de medição o projeto exige. Em contrapartida, ele é o item que mais costuma evitar a obra de aumento de carga.

Projeto, ART e o integrador

Toda obra ou serviço de engenharia fica sujeito à Anotação de Responsabilidade Técnica, a ART, que define quem responde tecnicamente pelo trabalho.[3] Na recarga em condomínio, quem faz o projeto e a obra é o integrador credenciado, com a ART do responsável técnico. Projeto e ART aparecem no orçamento como itens próprios e não são burocracia: são o que garante que o dimensionamento foi feito por alguém que responde por ele.

O levantamento de energia do prédio pode ser feito pelo integrador ou contratado como serviço à parte, como a Análise de Energia, que mede o consumo real e mostra quanto sobra em cada horário.

Custos que continuam depois da obra

  • Plataforma de gestão e cobrança: controla as estações, mede cada recarga e fatura cada morador;
  • Conectividade: as estações e o gerenciador precisam de internet na garagem para a plataforma acompanhar e cobrar (se ela cair, a recarga continua);
  • Manutenção: reaperto de quadros e conexões, inspeções, teste das proteções, troca de peças;
  • Energia: paga por quem carrega, medida em cada recarga.

A manutenção pode ser paga por um caixa da própria recarga, com uma taxa pequena no kWh, uma taxa fixa mensal de quem usa, ou as duas. Quem decide é o condomínio. Veja manutenção da instalação de recarga e a calculadora Quanto o condomínio arrecada.

O que encarece e o que barateia

Faça
Medir a energia do prédio antes de projetar
Projetar com gerenciador de demanda desde o início
Fazer a infraestrutura coletiva uma vez, já pensando em todas as vagas
Instalar quadros por pavimento perto das vagas
Escolher estação de 7,4 kW com OCPP 1.6J e homologada
Ligar as vagas aos poucos, conforme a adesão, sobre a infraestrutura pronta
Evite
Puxar circuito de cada vaga direto do quadro geral, um de cada vez
Projetar sem gerenciador e descobrir depois que falta energia
Comprar estação mais potente do que os carros aceitam
Comprar estação sem protocolo aberto ou sem homologação
Fazer obra em etapas sem projeto do todo e pagar o retrabalho
Furar laje ou viga sem orientação de quem conhece a estrutura
Instalar o gerenciador depois não funciona
O gerenciador muda o dimensionamento da instalação inteira. Projeto feito sem ele costuma ter de ser refeito, e aí o barato sai caro.

Como comparar propostas

Duas propostas só são comparáveis se tiverem o mesmo escopo. Antes de olhar o preço final, confira:

  1. Quantas vagas a infraestrutura coletiva prepara, e quantas recebem estação agora;
  2. Se inclui levantamento de energia, projeto e ART;
  3. Se prevê gerenciador de demanda e quantos pontos de medição;
  4. Qual estação, com qual potência, protocolo e homologação;
  5. Quais proteções em cada circuito;
  6. Se inclui seccionamento de emergência, sinalização, testes e documentação final;
  7. O que fica de fora (aumento de carga, obra civil pesada, internet na garagem).

O modelo de pedido de proposta ajuda a mandar o mesmo escopo para todos, e o checklist de recebimento da obra ajuda a conferir o que foi entregue.

Resumo

  • O custo depende da energia que sobra, da distância até as vagas e de quantas vagas serão preparadas.
  • Faltar energia é o que mais encarece: o aumento de carga é tratado com a distribuidora.[1]
  • A NBR 17019 aceita fator de demanda 1 ou gerenciamento; na prática, o gerenciador entra desde o projeto.[2]
  • Projeto e ART são obrigatórios e fazem parte do orçamento.[3]
  • Compare propostas pelo escopo, não pelo preço da vaga.

A ProSmart EV apoia os integradores credenciados que fazem o projeto e a obra, e fornece o ProDemand, o gerenciador que fica no quadro do prédio. Veja os integradores, o ProDemand ou peça uma proposta.

Fontes e referências

  1. [1]Resolução Normativa ANEEL nº 1.000, de 7 de dezembro de 2021 (texto compilado). ANEEL, 2021.Art. 550 (comunicar a distribuidora quando há aumento de carga), art. 551 (custos de adequação da rede) e art. 552 (protocolos abertos).
  2. [2]Alimentação de veículos elétricos na NBR 17019. O Setor Elétrico, 2026.Resumo técnico público da ABNT NBR 17019:2022: circuito terminal por ponto de recarga e fator de demanda 1, a menos que haja controle de recarga.
  3. [3]Lei nº 6.496, de 7 de dezembro de 1977. Presidência da República, 1977.Todo contrato de obra ou serviço de engenharia fica sujeito à Anotação de Responsabilidade Técnica (ART).
Sobre este conteúdo
Texto informativo, escrito pela equipe da ProSmart EV a partir das fontes listadas. Não substitui o projeto elétrico com ART, a orientação da administradora nem a análise de um advogado de condomínio. Normas e leis mudam: confira sempre a versão em vigor. Achou algo errado ou desatualizado? Avise a gente.

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