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Tecnologia

Híbrido plug-in ou elétrico: quem precisa de tomada no condomínio

BEV, PHEV, HEV e MHEV explicados: quais carros carregam na tomada, quanto cada um puxa por noite e por que o híbrido plug-in conta no projeto da garagem.

17 de outubro de 20267 min de leituraNível introdutórioPara síndico, morador, construtora
Neste artigo
O que você vai entender
  • Carro híbrido precisa de carregador no condomínio?
  • Qual a diferença entre BEV, PHEV, HEV e MHEV?
  • Quanto um híbrido plug-in consome de energia na recarga?
  • Híbrido plug-in usa o mesmo carregador do carro elétrico?
  • Quantos carros plug-in são vendidos no Brasil?

Precisam de tomada dois tipos de carro: o 100% elétrico (BEV) e o híbrido plug-in (PHEV). Os outros híbridos, o HEV comum e o micro-híbrido (MHEV), recarregam a bateria sozinhos, rodando, e nunca vão usar a estação da garagem.[1] Para o condomínio, isso importa porque o híbrido plug-in foi o eletrificado mais vendido no Brasil em 2025 e pode puxar da tomada, por noite, uma energia da mesma ordem que um elétrico.

As quatro siglas

BEV
O que é:
100% elétrico: só motor elétrico e bateria grande
Carrega na tomada?:
Sim, sempre
Na garagem do prédio:
Usa a estação todo dia ou quase
PHEV
O que é:
Híbrido plug-in: motor a combustão e bateria média
Carrega na tomada?:
Sim
Na garagem do prédio:
Usa a estação para rodar no elétrico
HEV / HEV Flex
O que é:
Híbrido comum: bateria pequena, carregada rodando
Carrega na tomada?:
Não
Na garagem do prédio:
Não usa
MHEV
O que é:
Micro-híbrido: sistema elétrico de apoio, sem tração elétrica
Carrega na tomada?:
Não
Na garagem do prédio:
Não usa
HEV Flex é o híbrido comum com motor a combustão flex (gasolina e etanol).

O BEV (de battery electric vehicle) não tem motor a combustão: toda a energia vem da tomada. O PHEV (plug-in hybrid electric vehicle) tem os dois motores e uma bateria grande o bastante para rodar dezenas de quilômetros só no elétrico; quando ela acaba, o carro segue como híbrido comum. O HEV (hybrid electric vehicle) tem bateria pequena, carregada pelo motor a combustão e pela frenagem, e não tem entrada de recarga. O MHEV (mild hybrid) usa um sistema elétrico de baixa tensão só para ajudar o motor a combustão.

Como a ABVE conta

Desde janeiro de 2025, a ABVE só conta como eletrificado o veículo com motor elétrico acima de 60 V e com tração elétrica própria, ou seja, capaz de andar só com o motor elétrico, mesmo que por pouco tempo. Os micro-híbridos, com sistema abaixo de 60 V e sem tração elétrica, passaram a ser contados à parte.[2] É essa régua que separa, nas estatísticas, os carros que de fato usam eletricidade para andar.

Quantos são

Pelos dados da ABVE, o Brasil emplacou 223.912 veículos eletrificados leves em 2025, alta de 26% sobre 2024. Os híbridos plug-in lideraram, com 101.364 unidades, seguidos pelos 100% elétricos, com 80.178. Os híbridos comuns somaram 21.323 na versão flex e 21.047 a gasolina. Os micro-híbridos, contados à parte, foram 61.340.[3]

45,3%
dos eletrificados vendidos em 2025 foram híbridos plug-in
35,8%
foram 100% elétricos
≈ 81%
dos eletrificados de 2025 carregam na tomada (PHEV + BEV)

A conta é simples: de cada cinco eletrificados vendidos no ano, quatro precisam de tomada. Quem planeja a garagem do prédio olhando só para os 100% elétricos subestima a procura.

A virada é recente. Em agosto e setembro de 2023, pela primeira vez na série histórica da ABVE, os plug-in superaram os híbridos sem tomada, com 51% e 57% das vendas de eletrificados leves naqueles meses.[1] Em 2025, os eletrificados como um todo chegaram a cerca de 9% das vendas de veículos leves no país.[3]

Quanto o híbrido plug-in puxa da tomada

A bateria do PHEV é menor que a de um elétrico, mas não é pequena. Um exemplo vendido no Brasil, o BYD Song Pro, tem bateria de 18,3 kWh na versão GS e de 12,9 kWh na GL, aceita recarga em corrente alternada de até 6,6 kW e declara 68 km de autonomia elétrica no padrão do Inmetro.[4] Para comparação, o BYD Dolphin GS, 100% elétrico, tem bateria de 44,9 kWh e também carrega a 6,6 kW.[5]

Uma noite de recarga (valores aproximados)
PHEV que chega com a bateria vazia: até cerca de 18 kWh
Tempo a 6,6 kW ≈ 18 ÷ 6,6 ≈ 2,7 h, mais as perdas de conversão
BEV que rodou 40 km a 15 kWh/100 km: 40 × 15 ÷ 100 = 6 kWh
Tempo a 6,6 kW ≈ 6 ÷ 6,6 ≈ 55 minutos
Bateria do PHEV pela ficha do fabricante; distância e consumo do BEV são valores de exemplo. A energia útil da bateria é um pouco menor que a nominal.

O resultado surpreende muita gente: num dia comum, o híbrido plug-in que roda tudo no elétrico pode puxar da tomada tanto quanto, ou mais que, um elétrico que rodou pouco. A diferença é que o PHEV para de usar a tomada quando a bateria acaba e segue no combustível, enquanto o BEV depende só dela.

O PHEV usa a mesma estação?

Usa. A maioria dos elétricos e híbridos plug-in vendidos no Brasil usa o mesmo padrão de conector, com o Tipo 2 para a recarga de garagem,[1] e a mesma estação atende os dois. O que pode mudar é o carregador de bordo: alguns PHEVs aceitam menos potência, e numa estação de 7,4 kW cada carro carrega no limite do próprio carregador. Os conectores estão em conectores Tipo 1, Tipo 2, CCS2 e GB/T, e as potências, em potência de recarga.

Para o gerenciamento de energia do prédio, isso é até uma vantagem. Recargas menores e mais curtas liberam a vez mais cedo na fila, e o gerenciador de demanda consegue atender mais carros com a mesma energia.

O híbrido plug-in que não carrega

Um PHEV pode rodar sem nunca ser plugado: ele funciona como um híbrido comum, com o motor a combustão fazendo o trabalho. Mas aí perde boa parte do sentido, porque o morador carrega o peso da bateria sem usar a energia barata da tomada. Por isso o dono de PHEV também é, quase sempre, um interessado na recarga do prédio.

Cada vaga, uma decisão do projeto
Para o projetista, PHEV e BEV entram na mesma conta de demanda: cada estação é dimensionada pela potência que pode entregar, não pelo tipo de carro estacionado hoje. O carro muda; a instalação fica.

O que isso muda no planejamento do prédio

Exemplo · prédio de 80 apartamentos fazendo a pesquisa de interesse

A pesquisa aponta 6 moradores com carro 100% elétrico, 9 com híbrido plug-in e 5 com híbrido comum. Para a garagem, contam 15 interessados (6 + 9), não 6. Os 5 com híbrido comum não usam a estação, mas podem trocar de carro nos próximos anos.

Os números são de exemplo. Cada prédio precisa da sua própria pesquisa.

  • Na pesquisa, pergunte o modelo do carro, não só “se é elétrico”.
  • Conte PHEV e BEV como usuários da estação.
  • Pense no crescimento: a infraestrutura precisa servir aos carros que chegarão, não só aos de hoje.

O modelo da pesquisa de interesse já separa os tipos de carro, e a calculadora quantos carros meu prédio aguenta ajuda a transformar a resposta em números.

Dúvidas comuns do síndico

O morador com híbrido comum pode pedir estação?

Pode pedir, mas não vai usar enquanto tiver esse carro: o HEV não tem entrada de recarga. Vale registrar o interesse, porque é comum a troca seguinte ser por um plug-in, e a infraestrutura feita agora atende o carro que vier depois.

O dono de PHEV paga diferente?

Não precisa. A recarga é medida em kWh na estação, e cada morador paga a energia que usou, seja qual for o carro. Quem carrega menos, paga menos. As regras de preço estão em preço do kWh no condomínio.

Vale instalar estação mais fraca para quem tem PHEV?

Em geral, não. A vaga pode receber um elétrico no futuro, e o circuito é dimensionado pela estação prevista no projeto, não pelo carro de hoje. Com o gerenciamento de demanda, a potência entregue já é ajustada à energia disponível, então a estação padrão da vaga atende os dois tipos de carro.

Na ProSmart EV

Na plataforma ProSmart EV, elétrico e híbrido plug-in são tratados do mesmo jeito: cada recarga é medida e entra na fatura do morador, que recebe o PDF por e-mail e no app. O ProDemand organiza a energia do prédio entre todos os carros plugados. O caminho completo está em carregador no condomínio: por onde começar.

Resumo

  • Carregam na tomada: BEV (100% elétrico) e PHEV (híbrido plug-in). HEV e MHEV não usam a estação.
  • Em 2025, cerca de 81% dos eletrificados vendidos no Brasil eram plug-in, com o PHEV na liderança.
  • Um PHEV pode puxar por noite tanto quanto um elétrico que roda pouco.
  • PHEV e BEV usam a mesma estação Tipo 2 e entram na mesma conta do projeto.

Fontes e referências

  1. [1]Padronização das conexões de recarga de veículos elétricos no Brasil — apresentação da ABVE. ABVE / Câmara dos Deputados, 2023.Os veículos plug-in (PHEV e BEV) são os que requerem recarga externa da bateria.
  2. [2]ABVE faz nova classificação de eletrificados sem micro-híbridos. Canal VE, 2025.Desde janeiro de 2025, a ABVE só conta como eletrificado o veículo com motor elétrico acima de 60 V e tração elétrica própria; MHEV passa a ser contado à parte.
  3. [3]Eletrificados crescem 26% e fecham 2025 com 224 mil veículos vendidos. Conexão Tocantins (dados ABVE), 2026.2025: 223.912 eletrificados; PHEV 101.364 (45,3%); BEV 80.178 (35,8%); HEV Flex 21.323; HEV 21.047; MHEV 61.340 à parte.
  4. [4]BYD lança Song Pro com consumo de 22 km/l e preço a partir de R$ 189.800. A Gazeta, 2024.Bateria de 18,3 kWh (GS) ou 12,9 kWh (GL); recarga AC de até 6,6 kW; 68 km de autonomia elétrica no padrão PBEV do Inmetro.
  5. [5]BYD Dolphin GS 2026 — ficha técnica. Canal VE, 2026.Bateria de 44,9 kWh; recarga de 6,6 kW em AC.
Sobre este conteúdo
Texto informativo, escrito pela equipe da ProSmart EV a partir das fontes listadas. Não substitui o projeto elétrico com ART, a orientação da administradora nem a análise de um advogado de condomínio. Normas e leis mudam: confira sempre a versão em vigor. Achou algo errado ou desatualizado? Avise a gente.

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