Precisam de tomada dois tipos de carro: o 100% elétrico (BEV) e o híbrido plug-in (PHEV). Os outros híbridos, o HEV comum e o micro-híbrido (MHEV), recarregam a bateria sozinhos, rodando, e nunca vão usar a estação da garagem.[1] Para o condomínio, isso importa porque o híbrido plug-in foi o eletrificado mais vendido no Brasil em 2025 e pode puxar da tomada, por noite, uma energia da mesma ordem que um elétrico.
As quatro siglas
| Sigla | O que é | Carrega na tomada? | Na garagem do prédio |
|---|---|---|---|
| BEV | 100% elétrico: só motor elétrico e bateria grande | Sim, sempre | Usa a estação todo dia ou quase |
| PHEV | Híbrido plug-in: motor a combustão e bateria média | Sim | Usa a estação para rodar no elétrico |
| HEV / HEV Flex | Híbrido comum: bateria pequena, carregada rodando | Não | Não usa |
| MHEV | Micro-híbrido: sistema elétrico de apoio, sem tração elétrica | Não | Não usa |
- O que é:
- 100% elétrico: só motor elétrico e bateria grande
- Carrega na tomada?:
- Sim, sempre
- Na garagem do prédio:
- Usa a estação todo dia ou quase
- O que é:
- Híbrido plug-in: motor a combustão e bateria média
- Carrega na tomada?:
- Sim
- Na garagem do prédio:
- Usa a estação para rodar no elétrico
- O que é:
- Híbrido comum: bateria pequena, carregada rodando
- Carrega na tomada?:
- Não
- Na garagem do prédio:
- Não usa
- O que é:
- Micro-híbrido: sistema elétrico de apoio, sem tração elétrica
- Carrega na tomada?:
- Não
- Na garagem do prédio:
- Não usa
O BEV (de battery electric vehicle) não tem motor a combustão: toda a energia vem da tomada. O PHEV (plug-in hybrid electric vehicle) tem os dois motores e uma bateria grande o bastante para rodar dezenas de quilômetros só no elétrico; quando ela acaba, o carro segue como híbrido comum. O HEV (hybrid electric vehicle) tem bateria pequena, carregada pelo motor a combustão e pela frenagem, e não tem entrada de recarga. O MHEV (mild hybrid) usa um sistema elétrico de baixa tensão só para ajudar o motor a combustão.
Como a ABVE conta
Desde janeiro de 2025, a ABVE só conta como eletrificado o veículo com motor elétrico acima de 60 V e com tração elétrica própria, ou seja, capaz de andar só com o motor elétrico, mesmo que por pouco tempo. Os micro-híbridos, com sistema abaixo de 60 V e sem tração elétrica, passaram a ser contados à parte.[2] É essa régua que separa, nas estatísticas, os carros que de fato usam eletricidade para andar.
Quantos são
Pelos dados da ABVE, o Brasil emplacou 223.912 veículos eletrificados leves em 2025, alta de 26% sobre 2024. Os híbridos plug-in lideraram, com 101.364 unidades, seguidos pelos 100% elétricos, com 80.178. Os híbridos comuns somaram 21.323 na versão flex e 21.047 a gasolina. Os micro-híbridos, contados à parte, foram 61.340.[3]
A conta é simples: de cada cinco eletrificados vendidos no ano, quatro precisam de tomada. Quem planeja a garagem do prédio olhando só para os 100% elétricos subestima a procura.
A virada é recente. Em agosto e setembro de 2023, pela primeira vez na série histórica da ABVE, os plug-in superaram os híbridos sem tomada, com 51% e 57% das vendas de eletrificados leves naqueles meses.[1] Em 2025, os eletrificados como um todo chegaram a cerca de 9% das vendas de veículos leves no país.[3]
Quanto o híbrido plug-in puxa da tomada
A bateria do PHEV é menor que a de um elétrico, mas não é pequena. Um exemplo vendido no Brasil, o BYD Song Pro, tem bateria de 18,3 kWh na versão GS e de 12,9 kWh na GL, aceita recarga em corrente alternada de até 6,6 kW e declara 68 km de autonomia elétrica no padrão do Inmetro.[4] Para comparação, o BYD Dolphin GS, 100% elétrico, tem bateria de 44,9 kWh e também carrega a 6,6 kW.[5]
O resultado surpreende muita gente: num dia comum, o híbrido plug-in que roda tudo no elétrico pode puxar da tomada tanto quanto, ou mais que, um elétrico que rodou pouco. A diferença é que o PHEV para de usar a tomada quando a bateria acaba e segue no combustível, enquanto o BEV depende só dela.
O PHEV usa a mesma estação?
Usa. A maioria dos elétricos e híbridos plug-in vendidos no Brasil usa o mesmo padrão de conector, com o Tipo 2 para a recarga de garagem,[1] e a mesma estação atende os dois. O que pode mudar é o carregador de bordo: alguns PHEVs aceitam menos potência, e numa estação de 7,4 kW cada carro carrega no limite do próprio carregador. Os conectores estão em conectores Tipo 1, Tipo 2, CCS2 e GB/T, e as potências, em potência de recarga.
Para o gerenciamento de energia do prédio, isso é até uma vantagem. Recargas menores e mais curtas liberam a vez mais cedo na fila, e o gerenciador de demanda consegue atender mais carros com a mesma energia.
O híbrido plug-in que não carrega
Um PHEV pode rodar sem nunca ser plugado: ele funciona como um híbrido comum, com o motor a combustão fazendo o trabalho. Mas aí perde boa parte do sentido, porque o morador carrega o peso da bateria sem usar a energia barata da tomada. Por isso o dono de PHEV também é, quase sempre, um interessado na recarga do prédio.
O que isso muda no planejamento do prédio
A pesquisa aponta 6 moradores com carro 100% elétrico, 9 com híbrido plug-in e 5 com híbrido comum. Para a garagem, contam 15 interessados (6 + 9), não 6. Os 5 com híbrido comum não usam a estação, mas podem trocar de carro nos próximos anos.
Os números são de exemplo. Cada prédio precisa da sua própria pesquisa.
- Na pesquisa, pergunte o modelo do carro, não só “se é elétrico”.
- Conte PHEV e BEV como usuários da estação.
- Pense no crescimento: a infraestrutura precisa servir aos carros que chegarão, não só aos de hoje.
O modelo da pesquisa de interesse já separa os tipos de carro, e a calculadora quantos carros meu prédio aguenta ajuda a transformar a resposta em números.
Dúvidas comuns do síndico
O morador com híbrido comum pode pedir estação?
Pode pedir, mas não vai usar enquanto tiver esse carro: o HEV não tem entrada de recarga. Vale registrar o interesse, porque é comum a troca seguinte ser por um plug-in, e a infraestrutura feita agora atende o carro que vier depois.
O dono de PHEV paga diferente?
Não precisa. A recarga é medida em kWh na estação, e cada morador paga a energia que usou, seja qual for o carro. Quem carrega menos, paga menos. As regras de preço estão em preço do kWh no condomínio.
Vale instalar estação mais fraca para quem tem PHEV?
Em geral, não. A vaga pode receber um elétrico no futuro, e o circuito é dimensionado pela estação prevista no projeto, não pelo carro de hoje. Com o gerenciamento de demanda, a potência entregue já é ajustada à energia disponível, então a estação padrão da vaga atende os dois tipos de carro.
Na ProSmart EV
Na plataforma ProSmart EV, elétrico e híbrido plug-in são tratados do mesmo jeito: cada recarga é medida e entra na fatura do morador, que recebe o PDF por e-mail e no app. O ProDemand organiza a energia do prédio entre todos os carros plugados. O caminho completo está em carregador no condomínio: por onde começar.
Resumo
- Carregam na tomada: BEV (100% elétrico) e PHEV (híbrido plug-in). HEV e MHEV não usam a estação.
- Em 2025, cerca de 81% dos eletrificados vendidos no Brasil eram plug-in, com o PHEV na liderança.
- Um PHEV pode puxar por noite tanto quanto um elétrico que roda pouco.
- PHEV e BEV usam a mesma estação Tipo 2 e entram na mesma conta do projeto.