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Tecnologia

Conectores de carro elétrico no Brasil: Tipo 1, Tipo 2, CCS2, GB/T e CHAdeMO

Qual plugue os carros vendidos no Brasil usam, o que muda entre cada padrão e quando um adaptador é aceitável ou um risco.

17 de outubro de 20267 min de leituraNível intermediárioPara morador, síndico, integrador, projetista
Neste artigo
O que você vai entender
  • Qual é o conector padrão de carro elétrico no Brasil?
  • Qual a diferença entre Tipo 2 e CCS2?
  • Carro com conector GB/T carrega em estação Tipo 2?
  • Posso usar adaptador de conector no carregador do condomínio?
  • Existe lei que obriga um padrão de conector no Brasil?

Nos carros elétricos e híbridos plug-in vendidos oficialmente no Brasil, o padrão que prevaleceu é o Tipo 2 para recarga em corrente alternada (a de garagem) e o CCS2 para recarga rápida em corrente contínua. Os dois usam a mesma entrada no carro. As exceções existem e merecem atenção: carros com padrão chinês GB/T, modelos antigos com Tipo 1 e o CHAdeMO japonês.

Quem define o formato do plugue

Os conectores de recarga são descritos pela série internacional IEC 62196. A parte 2 trata dos plugues de corrente alternada, para até 480 V e correntes de até 63 A em trifásico ou 70 A em monofásico.[1] A ABNT publicou a versão brasileira dessa parte como ABNT NBR IEC 62196-2.[2] A parte 3 reúne os conectores de corrente contínua, entre eles o CCS, o CHAdeMO e o GB/T.[3]

Até outubro de 2026, não encontramos lei federal nem resolução que obrigue um único conector no país. O assunto foi debatido em audiência pública na Câmara dos Deputados em outubro de 2023. Na ocasião, a ABVE informou que a maioria dos seus associados recomenda a adoção do CCS2 como padrão único, com certificação do Inmetro e prazo mínimo de 24 meses para adaptação, e registrou que essa posição não é unânime.[4] Na prática, o mercado já convergiu: segundo a mesma apresentação, mais de 95% das estações públicas e semipúblicas do país seguem o padrão CCS Tipo 2.[4]

Tipo 2: o plugue da garagem

O Tipo 2, também chamado de Mennekes por causa da empresa que o propôs, tem sete pinos: dois de sinal, um de terra, um de neutro e até três de fase.[5] Os pinos de sinal são os que fazem a conversa entre carro e estação: um avisa que o plugue está encaixado, o outro informa ao carro quanta corrente ele pode puxar e permite à estação saber se o carro está pronto para carregar.

Como tem três fases, o mesmo plugue serve a ligações monofásicas e trifásicas. O uso mais comum é 32 A em monofásico ou 22 kW em trifásico.[5] Durante a recarga, o plugue fica travado no carro e só solta quando a recarga termina ou é encerrada, o que evita puxar o cabo com corrente passando.

CCS2: o Tipo 2 com dois pinos a mais

O CCS2 (de Combined Charging System, tipo 2) é a parte de cima do Tipo 2 com dois pinos grossos a mais, embaixo, para a corrente contínua.[5] Isso tem uma consequência prática ótima: o carro com entrada CCS2 tem um bocal só. Na garagem, recebe o plugue Tipo 2 comum, que ocupa a parte de cima. No eletroposto rápido, recebe o plugue CCS2 completo.

Para o condomínio, isso significa que a estação AC de garagem com Tipo 2 atende praticamente todos os carros vendidos oficialmente no país. Segundo a ABVE, a maioria dos modelos elétricos e híbridos plug-in comercializados no Brasil já oferece o padrão CCS2.[4]

Tipo 1: o padrão norte-americano

O Tipo 1, conhecido pela norma SAE J1772, é o conector de corrente alternada da América do Norte e só trabalha em monofásico.[5] No Brasil aparece em alguns carros mais antigos ou importados de forma independente. A boa notícia é que o Tipo 1 conversa com a estação usando o mesmo tipo de sinal do Tipo 2. Por isso, quem tem carro Tipo 1 costuma carregar numa estação com tomada Tipo 2 usando um cabo próprio, com Tipo 2 numa ponta e Tipo 1 na outra. Em estação com cabo preso, essa solução não existe.

GB/T: parecido por fora, incompatível por dentro

O GB/T é o padrão nacional da China, com um conector para AC e outro, diferente, para DC. Por isso, os carros feitos para o mercado chinês costumam ter duas entradas de recarga.[6] O plugue AC tem o mesmo formato do Tipo 2, mas com os gêneros invertidos e com a distribuição dos pinos e os sinais de comunicação diferentes. O resultado é perigoso de tão parecido: os dois chegam a encaixar, mas são eletricamente incompatíveis.[6]

No Brasil, a maioria dos modelos vendidos pelas montadoras, inclusive os de marcas chinesas, vem com Tipo 2 e CCS2.[4] O GB/T aparece em carros trazidos diretamente do mercado chinês. Nesses casos, a orientação é procurar a solução do fabricante ou do importador, e não um adaptador genérico.

CHAdeMO: a recarga rápida japonesa

O CHAdeMO é um padrão de corrente contínua criado no Japão. No Brasil, o caso mais conhecido é o Nissan Leaf: a linha 2023 vendida aqui ganhou entrada Tipo 2 para a recarga AC e manteve a entrada CHAdeMO para a recarga rápida.[7] Para o condomínio, isso não muda nada, porque a garagem trabalha com AC e o Tipo 2 está lá. A dificuldade aparece na estrada, já que poucos eletropostos oferecem CHAdeMO.

Tabela de bolso

Tipo 2
Corrente:
AC, mono ou trifásico
Onde aparece:
Quase todos os carros vendidos no Brasil
Na garagem do prédio:
É o padrão das estações
CCS2
Corrente:
DC (e AC pela parte de cima)
Onde aparece:
Mesmos carros do Tipo 2
Na garagem do prédio:
Aceita o plugue Tipo 2
Tipo 1
Corrente:
AC monofásico
Onde aparece:
Carros antigos ou importados dos EUA
Na garagem do prédio:
Cabo Tipo 2 → Tipo 1
GB/T AC e DC
Corrente:
AC e DC, em entradas separadas
Onde aparece:
Carros trazidos da China
Na garagem do prédio:
Consultar o fabricante
CHAdeMO
Corrente:
DC
Onde aparece:
Nissan Leaf e alguns japoneses
Na garagem do prédio:
Usa a entrada AC do carro
Fontes: IEC 62196, ABVE (2023), World Standards e fichas de fabricantes. Confira sempre o manual do seu carro.

Adaptadores: quando usar e os riscos

Adaptador resolve a forma, mas não necessariamente a conversa entre carro e estação. Um bom adaptador precisa aguentar a corrente máxima da recarga por horas, manter o fio terra contínuo, repassar corretamente os sinais de controle e não atrapalhar o travamento do plugue. Peça barata, sem certificação, aquece no contato e pode derreter com o carro carregando de madrugada, sem ninguém olhando.

Faça
Conferir no manual do carro qual entrada ele tem antes de escolher a estação
Preferir estação com tomada Tipo 2 quando houver moradores com carro Tipo 1
Usar só cabo ou adaptador indicado pelo fabricante do carro ou certificado
Comunicar ao síndico e ao integrador qualquer adaptador usado na vaga
Evite
Adaptador genérico entre GB/T e Tipo 2: os dois encaixam, mas não são compatíveis
Empilhar adaptadores ou usar extensão entre o cabo e o carro
Adaptador que deixa o plugue frouxo ou impede o travamento
Adaptar a estação para tomada comum ou tomada industrial
Plugue quente é sinal de problema
Se o plugue, o cabo ou o adaptador esquentam a ponto de incomodar a mão, pare de usar e chame o integrador responsável. Aquecimento no contato indica mau contato ou peça que não aguenta a corrente da recarga.

O que isso muda no projeto do condomínio

Como quase todos os carros usam Tipo 2, a escolha do conector da estação é simples. A decisão que sobra é entre cabo preso (mais prático no dia a dia) e tomada Tipo 2 na estação (cada morador usa o próprio cabo, o que atende também quem tem carro Tipo 1). Essa e outras escolhas estão em como escolher a estação de recarga.

Vale também registrar, na pesquisa de interesse feita antes da assembleia, qual carro cada morador tem ou pretende comprar. O modelo da pesquisa de interesse já pede essa informação, que ajuda o projetista a prever conector, potência e ligação.

As estações usadas com a plataforma ProSmart EV são de corrente alternada com conector Tipo 2, falam o protocolo OCPP 1.6J e passaram por homologação. Os modelos já testados estão em estações compatíveis. A diferença entre AC e DC está em carregador AC ou DC.

Resumo

  • No Brasil, o padrão de fato é Tipo 2 para AC e CCS2 para DC, na mesma entrada do carro.
  • Até outubro de 2026, não há lei federal que obrigue um conector único; a ABVE defende o CCS2.
  • Tipo 1 carrega em estação com tomada Tipo 2, usando cabo próprio.
  • GB/T parece Tipo 2, mas é incompatível: procure a solução do fabricante, não adaptador genérico.
  • CHAdeMO é só para recarga rápida; na garagem, o carro usa a entrada AC.

Fontes e referências

  1. [1]IEC 62196-2 — Plugs, socket-outlets, vehicle connectors and vehicle inlets, Part 2: AC pin and contact-tube accessories. IEC, 2022.Acessórios AC até 480 V, 63 A trifásico ou 70 A monofásico. A edição de 2022 já foi substituída pela de 2025.
  2. [2]ABNT NBR IEC 62196-2 — Plugues, tomadas, tomadas móveis para veículo elétrico e plugues fixos para veículos elétricos, Parte 2. ABNT (catálogo).Versão brasileira da parte 2 da IEC 62196, que trata das dimensões e da intercambiabilidade dos plugues AC.
  3. [3]Review of Electric Vehicle Charging Technologies, Configurations, and Architectures. arXiv, 2022.A IEC 62196-3 reúne os acopladores DC: CHAdeMO, GB/T e CCS.
  4. [4]Padronização das conexões de recarga de veículos elétricos no Brasil — apresentação da ABVE na audiência pública de 25/10/2023. ABVE / Câmara dos Deputados, 2023.Mais de 95% das estações públicas e semipúblicas seguem o CCS Tipo 2; a maioria dos associados recomenda padrão único CCS2, com certificação Inmetro e prazo mínimo de 24 meses; a posição não é unânime.
  5. [5]Type 2 connector. Wikipedia.Sete pinos (dois de sinal, terra, neutro e até três fases); CCS Combo 2 acrescenta dois pinos DC; Tipo 1 é o padrão monofásico norte-americano.
  6. [6]GB/T AC charging connector. World Standards, 2026.Mesmo formato do Tipo 2, com os gêneros invertidos; encaixa, mas é eletricamente incompatível. GB/T DC é outro conector.
  7. [7]Nissan Leaf 2023 chega retocado e com novos recursos. AUTOentusiastas, 2022.A linha 2023 vendida no Brasil ganhou entrada Tipo 2 e manteve a CHAdeMO para recarga rápida.
Sobre este conteúdo
Texto informativo, escrito pela equipe da ProSmart EV a partir das fontes listadas. Não substitui o projeto elétrico com ART, a orientação da administradora nem a análise de um advogado de condomínio. Normas e leis mudam: confira sempre a versão em vigor. Achou algo errado ou desatualizado? Avise a gente.

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