Nos carros elétricos e híbridos plug-in vendidos oficialmente no Brasil, o padrão que prevaleceu é o Tipo 2 para recarga em corrente alternada (a de garagem) e o CCS2 para recarga rápida em corrente contínua. Os dois usam a mesma entrada no carro. As exceções existem e merecem atenção: carros com padrão chinês GB/T, modelos antigos com Tipo 1 e o CHAdeMO japonês.
Quem define o formato do plugue
Os conectores de recarga são descritos pela série internacional IEC 62196. A parte 2 trata dos plugues de corrente alternada, para até 480 V e correntes de até 63 A em trifásico ou 70 A em monofásico.[1] A ABNT publicou a versão brasileira dessa parte como ABNT NBR IEC 62196-2.[2] A parte 3 reúne os conectores de corrente contínua, entre eles o CCS, o CHAdeMO e o GB/T.[3]
Até outubro de 2026, não encontramos lei federal nem resolução que obrigue um único conector no país. O assunto foi debatido em audiência pública na Câmara dos Deputados em outubro de 2023. Na ocasião, a ABVE informou que a maioria dos seus associados recomenda a adoção do CCS2 como padrão único, com certificação do Inmetro e prazo mínimo de 24 meses para adaptação, e registrou que essa posição não é unânime.[4] Na prática, o mercado já convergiu: segundo a mesma apresentação, mais de 95% das estações públicas e semipúblicas do país seguem o padrão CCS Tipo 2.[4]
Tipo 2: o plugue da garagem
O Tipo 2, também chamado de Mennekes por causa da empresa que o propôs, tem sete pinos: dois de sinal, um de terra, um de neutro e até três de fase.[5] Os pinos de sinal são os que fazem a conversa entre carro e estação: um avisa que o plugue está encaixado, o outro informa ao carro quanta corrente ele pode puxar e permite à estação saber se o carro está pronto para carregar.
Como tem três fases, o mesmo plugue serve a ligações monofásicas e trifásicas. O uso mais comum é 32 A em monofásico ou 22 kW em trifásico.[5] Durante a recarga, o plugue fica travado no carro e só solta quando a recarga termina ou é encerrada, o que evita puxar o cabo com corrente passando.
CCS2: o Tipo 2 com dois pinos a mais
O CCS2 (de Combined Charging System, tipo 2) é a parte de cima do Tipo 2 com dois pinos grossos a mais, embaixo, para a corrente contínua.[5] Isso tem uma consequência prática ótima: o carro com entrada CCS2 tem um bocal só. Na garagem, recebe o plugue Tipo 2 comum, que ocupa a parte de cima. No eletroposto rápido, recebe o plugue CCS2 completo.
Para o condomínio, isso significa que a estação AC de garagem com Tipo 2 atende praticamente todos os carros vendidos oficialmente no país. Segundo a ABVE, a maioria dos modelos elétricos e híbridos plug-in comercializados no Brasil já oferece o padrão CCS2.[4]
Tipo 1: o padrão norte-americano
O Tipo 1, conhecido pela norma SAE J1772, é o conector de corrente alternada da América do Norte e só trabalha em monofásico.[5] No Brasil aparece em alguns carros mais antigos ou importados de forma independente. A boa notícia é que o Tipo 1 conversa com a estação usando o mesmo tipo de sinal do Tipo 2. Por isso, quem tem carro Tipo 1 costuma carregar numa estação com tomada Tipo 2 usando um cabo próprio, com Tipo 2 numa ponta e Tipo 1 na outra. Em estação com cabo preso, essa solução não existe.
GB/T: parecido por fora, incompatível por dentro
O GB/T é o padrão nacional da China, com um conector para AC e outro, diferente, para DC. Por isso, os carros feitos para o mercado chinês costumam ter duas entradas de recarga.[6] O plugue AC tem o mesmo formato do Tipo 2, mas com os gêneros invertidos e com a distribuição dos pinos e os sinais de comunicação diferentes. O resultado é perigoso de tão parecido: os dois chegam a encaixar, mas são eletricamente incompatíveis.[6]
No Brasil, a maioria dos modelos vendidos pelas montadoras, inclusive os de marcas chinesas, vem com Tipo 2 e CCS2.[4] O GB/T aparece em carros trazidos diretamente do mercado chinês. Nesses casos, a orientação é procurar a solução do fabricante ou do importador, e não um adaptador genérico.
CHAdeMO: a recarga rápida japonesa
O CHAdeMO é um padrão de corrente contínua criado no Japão. No Brasil, o caso mais conhecido é o Nissan Leaf: a linha 2023 vendida aqui ganhou entrada Tipo 2 para a recarga AC e manteve a entrada CHAdeMO para a recarga rápida.[7] Para o condomínio, isso não muda nada, porque a garagem trabalha com AC e o Tipo 2 está lá. A dificuldade aparece na estrada, já que poucos eletropostos oferecem CHAdeMO.
Tabela de bolso
| Conector | Corrente | Onde aparece | Na garagem do prédio |
|---|---|---|---|
| Tipo 2 | AC, mono ou trifásico | Quase todos os carros vendidos no Brasil | É o padrão das estações |
| CCS2 | DC (e AC pela parte de cima) | Mesmos carros do Tipo 2 | Aceita o plugue Tipo 2 |
| Tipo 1 | AC monofásico | Carros antigos ou importados dos EUA | Cabo Tipo 2 → Tipo 1 |
| GB/T AC e DC | AC e DC, em entradas separadas | Carros trazidos da China | Consultar o fabricante |
| CHAdeMO | DC | Nissan Leaf e alguns japoneses | Usa a entrada AC do carro |
- Corrente:
- AC, mono ou trifásico
- Onde aparece:
- Quase todos os carros vendidos no Brasil
- Na garagem do prédio:
- É o padrão das estações
- Corrente:
- DC (e AC pela parte de cima)
- Onde aparece:
- Mesmos carros do Tipo 2
- Na garagem do prédio:
- Aceita o plugue Tipo 2
- Corrente:
- AC monofásico
- Onde aparece:
- Carros antigos ou importados dos EUA
- Na garagem do prédio:
- Cabo Tipo 2 → Tipo 1
- Corrente:
- AC e DC, em entradas separadas
- Onde aparece:
- Carros trazidos da China
- Na garagem do prédio:
- Consultar o fabricante
- Corrente:
- DC
- Onde aparece:
- Nissan Leaf e alguns japoneses
- Na garagem do prédio:
- Usa a entrada AC do carro
Adaptadores: quando usar e os riscos
Adaptador resolve a forma, mas não necessariamente a conversa entre carro e estação. Um bom adaptador precisa aguentar a corrente máxima da recarga por horas, manter o fio terra contínuo, repassar corretamente os sinais de controle e não atrapalhar o travamento do plugue. Peça barata, sem certificação, aquece no contato e pode derreter com o carro carregando de madrugada, sem ninguém olhando.
O que isso muda no projeto do condomínio
Como quase todos os carros usam Tipo 2, a escolha do conector da estação é simples. A decisão que sobra é entre cabo preso (mais prático no dia a dia) e tomada Tipo 2 na estação (cada morador usa o próprio cabo, o que atende também quem tem carro Tipo 1). Essa e outras escolhas estão em como escolher a estação de recarga.
Vale também registrar, na pesquisa de interesse feita antes da assembleia, qual carro cada morador tem ou pretende comprar. O modelo da pesquisa de interesse já pede essa informação, que ajuda o projetista a prever conector, potência e ligação.
As estações usadas com a plataforma ProSmart EV são de corrente alternada com conector Tipo 2, falam o protocolo OCPP 1.6J e passaram por homologação. Os modelos já testados estão em estações compatíveis. A diferença entre AC e DC está em carregador AC ou DC.
Resumo
- No Brasil, o padrão de fato é Tipo 2 para AC e CCS2 para DC, na mesma entrada do carro.
- Até outubro de 2026, não há lei federal que obrigue um conector único; a ABVE defende o CCS2.
- Tipo 1 carrega em estação com tomada Tipo 2, usando cabo próprio.
- GB/T parece Tipo 2, mas é incompatível: procure a solução do fabricante, não adaptador genérico.
- CHAdeMO é só para recarga rápida; na garagem, o carro usa a entrada AC.