Na vaga fixa, cada morador tem a estação na própria vaga e só ele usa. Na rotativa, estações compartilhadas ficam em vagas de uso comum e servem a vários moradores, que se identificam, carregam e liberam a vaga. A escolha depende de três coisas: que tipo de vaga o prédio tem, quantos carros elétricos existem (e vão existir) e quanta energia sobra. Na maioria dos prédios grandes, a resposta acaba sendo uma mistura das duas.
Primeiro: que tipo de vaga o seu prédio tem
Antes de pensar em estação, olhe a matrícula e a convenção. As vagas de garagem costumam cair em três situações:
- Vaga autônoma, com matrícula e fração ideal próprias. O Código Civil trata os abrigos para veículos como propriedade exclusiva, que não pode ser vendida ou alugada a quem é de fora do condomínio sem autorização expressa da convenção.[1]
- Vaga vinculada ao apartamento, como parte acessória da unidade. A Lei 4.591/1964 já tratava o direito à guarda de veículos como propriedade exclusiva, vinculada à unidade quando não tem fração ideal específica de terreno.[2]
- Vaga de uso comum, sem lugar fixo: por sorteio periódico, por ordem de chegada ou de manobrista. O morador tem direito a estacionar, mas não sabe onde.
Se a vaga é demarcada e do morador (as duas primeiras situações), a estação fixa é possível. Se é por sorteio ou por ordem de chegada, a estação fixa não tem onde ficar, e a rotativa é o caminho natural, a não ser que o condomínio reorganize as vagas.
Vaga fixa: como funciona, prós e contras
Cada estação fica na vaga do morador e fica ligada ao apartamento dele. O carro chega, conecta e carrega durante a noite. A energia é medida por estação e entra na fatura daquele apartamento.
- A favor: é o mais cômodo, o carro carrega a noite toda sem disputa, ninguém precisa mover o carro de madrugada e a cobrança é direta.
- Contra: exige levar cabo até cada vaga, cada estação é uma compra, e a estação fica parada boa parte do dia.
Nos estados que aprovaram leis em 2025 e 2026, a vaga privativa ganhou proteção extra. Em São Paulo, por exemplo, o condômino tem o direito de instalar a própria estação na vaga de garagem privativa, às suas custas, com requisitos técnicos.[3] Isso empurra muitos prédios para o modelo fixo, com ou sem plano. O ideal é que o condomínio faça a infraestrutura comum e defina o padrão técnico antes. Veja o morador pode instalar carregador na vaga?
Vaga rotativa: o eletroposto particular do prédio
As estações ficam em vagas de uso comum, como a de visitantes ou uma área reservada para recarga. O morador chega, se identifica (cartão RFID, app ou número da estação), carrega e paga só a energia que usou. Para o condomínio, é uma obra só, num lugar só.
- A favor: custo inicial menor, atende quem não tem vaga própria, serve bem no começo, quando há poucos carros, e dá para ir acrescentando estações.
- Contra: pode haver disputa no horário de pico, o morador precisa tirar o carro depois de carregado e o modelo só funciona com regras claras.
A lei paulista de 2026 vale para vagas privativas e não cobre as rotativas, que continuam sendo decisão da assembleia.[3] A lei de Alagoas tem regra específica: em vagas rotativas, a assembleia pode autorizar pontos de recarga em local determinado, sem que a vaga deixe de ser rotativa.[4]
Comparação lado a lado
| Ponto | Vaga fixa | Rotativa |
|---|---|---|
| Tipo de vaga | Demarcada, do morador | Qualquer, inclusive sorteio |
| Obra | Infraestrutura até cada vaga | Concentrada num ponto |
| Custo inicial | Maior, cresce com cada estação | Menor |
| Conforto do morador | Conecta e esquece | Precisa liberar a vaga |
| Regras necessárias | Cobrança e padrão técnico | Cobrança, tempo de uso, ociosidade, reserva |
| Uso da estação | Parada boa parte do dia | Atende vários carros por dia |
- Vaga fixa:
- Demarcada, do morador
- Rotativa:
- Qualquer, inclusive sorteio
- Vaga fixa:
- Infraestrutura até cada vaga
- Rotativa:
- Concentrada num ponto
- Vaga fixa:
- Maior, cresce com cada estação
- Rotativa:
- Menor
- Vaga fixa:
- Conecta e esquece
- Rotativa:
- Precisa liberar a vaga
- Vaga fixa:
- Cobrança e padrão técnico
- Rotativa:
- Cobrança, tempo de uso, ociosidade, reserva
- Vaga fixa:
- Parada boa parte do dia
- Rotativa:
- Atende vários carros por dia
Quantas rotativas o prédio precisa
Não existe uma proporção fixa. O que define é quanta energia cada carro precisa por dia e quanto tempo cada um aceita ficar na vaga. Uma conta simples ajuda a ter ideia:
Pela energia, uma estação daria conta de vários carros por dia. O limite real é o comportamento: quase todo mundo quer conectar ao chegar em casa e sair de manhã. Por isso a rotativa funciona bem quando os moradores carregam algumas vezes por semana, em vez de todo dia, e quando há regras que fazem a vaga girar. Simule em tempo de recarga.
A mistura das duas
Na maioria dos prédios com muitas vagas, o desenho que envelhece melhor é o misto:
- Infraestrutura comum dimensionada para o prédio inteiro, com gerenciador de demanda;
- Infraestrutura seca (eletrocalha e espaço em quadro) prevista até as vagas fixas, para cada morador aderir quando comprar o carro;
- Algumas estações rotativas para quem não tem vaga demarcada, para visitantes ou para quem ainda não instalou a sua.
A lei alagoana, por exemplo, prevê ao mesmo tempo o direito individual e a possibilidade de o condomínio instalar pontos coletivos, com rateio ou cobrança por consumo.[4]
A assembleia aprova a infraestrutura comum com gerenciador de demanda. Nas 60 vagas demarcadas, fica prevista a infraestrutura seca, e cada morador instala a estação no padrão técnico aprovado quando quiser. Para as 60 vagas por sorteio, o condomínio instala 4 estações rotativas numa área de recarga, com tempo máximo de permanência depois do carro carregado.
Números ilustrativos. A quantidade certa sai da pesquisa de interesse e da medição de energia.
As regras que cada modelo pede
Nas fixas
- Padrão técnico da instalação (projeto, ART, modelo de estação compatível com o sistema do prédio);
- Medição individual e cobrança da energia;
- Quem paga a manutenção da própria estação e da infraestrutura comum.
Nas rotativas
- Identificação de quem está carregando, para cobrar a pessoa certa;
- Tempo máximo na vaga e, se o condomínio quiser, cobrança de ociosidade (o tempo parado depois de carregado);
- Reserva de horário, se houver;
- O que fazer quando a fila está cheia e alguém precisa sair cedo.
Nas duas, o gerenciador de demanda é quem garante que a soma das estações não passe do limite do prédio. As despesas de partes comuns usadas só por alguns condôminos cabem a quem delas se serve, segundo o Código Civil.[1] É o fundamento de cobrar a recarga e parte da infraestrutura de quem usa. Há um modelo de regulamento interno no kit.
Como a ProSmart EV faz
Na ProSmart EV, fixo e rotativo convivem no mesmo prédio, e para o morador o uso é igual nos dois. As vagas rotativas funcionam como um eletroposto particular: o morador se identifica pelo app, pelo número da estação ou pelo cartão RFID, e a recarga entra na fatura dele, em PDF por e-mail e no app. O condomínio pode ligar a cobrança de ociosidade, a reserva paga da estação e a prioridade SmartVIP, se quiser. Com poucos rotativos e energia de sobra, dá para começar só com a plataforma, sem ProDemand, desde que as estações fiquem 100% online.
Resumo
- Vaga demarcada do morador permite estação fixa; vaga por sorteio pede rotativa.
- Fixa é mais cômoda e cara por estação; rotativa é mais barata no começo e exige regras de uso.
- O desenho misto, com infraestrutura para todos e algumas rotativas, é o que costuma envelhecer melhor.
- Nos dois modelos, medição individual e gerenciador de demanda.
- Próximo passo: por onde começar e a pesquisa de interesse.