Pular para o conteúdo
Tecnologia

Cartão RFID, app ou Plug & Charge: como o carregador sabe quem está carregando

As formas de se identificar na estação de recarga do condomínio, o que cada uma exige, o que funciona sem internet e o que é, de fato, o Plug & Charge da ISO 15118.

17 de outubro de 20267 min de leituraNível intermediárioPara morador, síndico, integrador
Neste artigo
O que você vai entender
  • Como o carregador do condomínio sabe quem está carregando?
  • O que é Plug & Charge?
  • Cartão RFID ou aplicativo: qual é melhor para o condomínio?
  • O carregador funciona sem internet?
  • Dá para ter um cartão por carro?

Para cobrar a energia de cada morador, a estação de recarga precisa saber de quem é cada recarga. Há várias formas de fazer isso: encostar um cartão RFID, iniciar pelo aplicativo, digitar o número da estação, deixar o carro ser reconhecido ao plugar (o que o mercado chama de Plug & Charge) ou, na vaga privativa, liberar a recarga sem identificação. Cada uma tem prós, contras e um comportamento diferente quando a internet cai.

Por que a estação precisa saber quem é

Numa casa, a estação pode simplesmente ligar quando o carro pluga: quem paga é o dono da conta de luz. No condomínio, a energia sai do medidor do prédio, e a identificação é o que permite:

  • lançar a energia de cada recarga na fatura do morador certo;
  • impedir que alguém use a estação de outro apartamento;
  • aplicar regras do condomínio, como o bloqueio de quem está inadimplente;
  • organizar a fila e as prioridades quando a energia do prédio é dividida.

Por baixo de todas as formas, o caminho é parecido. A estação recebe um identificador (o número do cartão, um código vindo do app, o identificador do carro) e pergunta ao sistema se aquele usuário pode carregar. Esse diálogo acontece pelo protocolo OCPP, explicado em OCPP: o protocolo aberto.

As formas de se identificar

Cartão RFID

O cartão RFID é um cartão de proximidade, como um crachá de empresa ou um cartão de transporte. Ao encostar no leitor da estação, ela lê o número único do cartão e consulta o sistema. Se estiver liberado, a recarga começa.

A grande vantagem é funcionar mesmo sem internet. O OCPP 1.6 prevê uma lista local de autorização, guardada na própria estação ou num equipamento do prédio, com os cartões liberados.[1] Outra vantagem é a organização: com um cartão por carro, a fatura separa o consumo de cada veículo da família.

Os pontos fracos são os de qualquer cartão: perde-se, empresta-se e, nos modelos mais simples, pode ser copiado. Por isso o cartão perdido precisa ser bloqueado na plataforma assim que o morador avisa.

O cadastro costuma ser simples: o cartão é ligado à conta do morador na plataforma, em geral encostando-o na estação durante o cadastro, para que o sistema aprenda o número. A partir daí, aquele cartão vale para as estações que o condomínio liberar para o morador: a da vaga dele e, se houver, as rotativas.

Aplicativo e número da estação

Pelo app, o morador escolhe a estação e toca em iniciar. O sistema manda à estação a ordem de começar, e a recarga já nasce ligada à conta dele. Uma variação, útil nas estações compartilhadas, é digitar no app o número da estação, escrito nela.

É prático e dispensa cartão, mas depende de duas conexões ao mesmo tempo: o celular do morador e a estação (ou o prédio) precisam estar com internet. Em garagem de subsolo, onde o sinal do celular costuma ser fraco, isso pesa. As versões mais novas do OCPP ampliam esse leque, com QR code dinâmico e pagamento avulso com cartão de crédito ou débito.[2]

Recarga livre na vaga privativa

Na vaga de um morador só, pode fazer sentido liberar a recarga sem identificação: plugou, carregou. Quem paga é o dono da vaga, porque a estação é dele. É o modo mais simples para o morador, mas só serve onde ninguém mais tem acesso ao carregador. Em vaga compartilhada, a recarga livre jogaria a conta de todo mundo num apartamento só.

Plug & Charge: dois sentidos para o mesmo nome

“Plug & Charge” quer dizer “plugou, carregou”: o carro é reconhecido pelo próprio cabo e a recarga começa sem cartão nem app. Na prática do mercado, o nome cobre duas tecnologias diferentes.

Reconhecimento pelo identificador do carro

Muitos carros, ao plugar, enviam à estação um identificador do seu módulo de comunicação (chamado EVCCID, quase sempre derivado do endereço de rede do carro). O sistema associa esse identificador a um morador cadastrado e autoriza a recarga. No exterior, isso é chamado de Autocharge. É simples e não exige nada do fabricante do carro além de enviar o identificador, mas não usa criptografia: é um identificador, não uma assinatura.[3]

O Plug & Charge da ISO 15118

A forma completa vem da norma ISO 15118, que define a comunicação digital entre carro e estação. A parte 2, publicada em 2014, trouxe o Plug & Charge com certificados digitais: o carro guarda um certificado de contrato e prova, com criptografia, que ele é legítimo.[4] A parte 20, de 2022, é a segunda geração dessa comunicação e inclui a recarga bidirecional.[5] Esse modelo exige uma cadeia de certificados que envolve a montadora, o operador da rede de recarga e o provedor do contrato, e já é usado em redes de recarga rápida na Europa e nos Estados Unidos. A União Europeia vai exigir suporte à ISO 15118-20 nos pontos de recarga públicos a partir de 2027.[3]

Nem todo carro se apresenta na estação de garagem
O reconhecimento automático depende de o carro enviar o identificador também na recarga em corrente alternada, e nem todos fazem isso. Carro que não se apresenta continua carregando normalmente com cartão ou app.

Vaga fixa e vaga rotativa

A escolha da forma de identificação muda com o tipo de vaga. Na vaga fixa, a estação é de um morador só: o importante é impedir que outra pessoa use, e qualquer forma serve, inclusive a recarga livre. Na vaga rotativa, a estação é compartilhada por vários moradores, e a identificação é o que separa a conta de cada um. Ali, cartão, app, número da estação e reconhecimento do carro funcionam; a recarga livre, não.

No rotativo aparece ainda uma questão de convivência: o carro que terminou de carregar e continua na vaga ocupa o lugar de outro. A identificação permite saber de quem é o carro e, se o condomínio quiser, cobrar pelo tempo parado depois da recarga. O tema está em vagas rotativas no condomínio.

As formas lado a lado

Cartão RFID
O que o morador faz:
Encosta o cartão
Precisa de internet?:
Não, com decisão local
Bom para:
Fixo e rotativo; um cartão por carro
App
O que o morador faz:
Toca em iniciar
Precisa de internet?:
Sim
Bom para:
Quem não quer cartão
Número da estação
O que o morador faz:
Digita no app
Precisa de internet?:
Sim
Bom para:
Estações compartilhadas
Plug & Charge
O que o morador faz:
Só pluga
Precisa de internet?:
Não, com decisão local
Bom para:
Carro que se apresenta
Livre
O que o morador faz:
Só pluga
Precisa de internet?:
Não
Bom para:
Vaga privativa
“Decisão local” = a autorização é decidida por um equipamento no próprio prédio, sem consultar a nuvem.

E quando a internet cai

A diferença entre as formas aparece aqui. O cartão e o reconhecimento do carro dependem só de uma consulta, que pode ser respondida dentro do prédio. O app depende de levar a ordem do celular até a estação, e isso só acontece com conexão. Por isso, num condomínio, vale ter sempre pelo menos uma forma que funcione sem internet, normalmente o cartão. O tema completo está em e se a internet cair.

Exemplo · família com dois carros e um carregador fixo

O titular cadastra os dois carros e um cartão para cada um. No dia a dia, um dos carros é reconhecido ao plugar e o outro usa o cartão. A fatura mensal mostra o consumo de cada carro separado. Se a internet do prédio cair à noite, os dois continuam carregando.

Segurança e cuidados

Faça
Ter um cartão por carro e por pessoa que carrega
Bloquear na plataforma o cartão perdido, no mesmo dia
Cadastrar o carro para reconhecimento com ele plugado na estação, na presença do dono
Manter pelo menos uma forma de identificação que funcione sem internet
Evite
Emprestar o cartão: a recarga cai na fatura de quem é o cartão
Recarga livre em vaga compartilhada
Depender só do app numa garagem sem sinal
Usar o mesmo cartão para todos os carros quando a família quer o consumo separado

Na ProSmart EV

Na plataforma ProSmart EV, o condomínio escolhe como cada estação é liberada: pelo app, por cartão RFID, pelo número da estação, por Plug & Charge (o carro cadastrado é reconhecido ao plugar) ou no modo livre, em que paga o dono da vaga. O ProDemand decide no prédio: se a internet ou a plataforma cair, cartão RFID, Plug & Charge, controle de demanda e bloqueio continuam funcionando, e só iniciar pelo app e acompanhar ao vivo dependem da conexão. O que o morador vê no celular está em app do morador.

Resumo

  • A identificação é o que permite cobrar cada morador e aplicar as regras do condomínio.
  • Cartão RFID funciona sem internet quando a decisão é local, e separa o consumo por carro.
  • App e número da estação são práticos, mas precisam de conexão.
  • Plug & Charge pode ser o reconhecimento pelo identificador do carro ou a versão com certificados da ISO 15118.
  • Recarga livre só faz sentido na vaga privativa.

Fontes e referências

  1. [1]Open Charge Point Protocol. Open Charge Alliance.O OCPP 1.6 inclui gestão de lista local de autorização, além de smart charging.
  2. [2]OCPP 2.1 is now available. Open Charge Alliance, 2025.Novos meios de autorização: cartão pré-pago, pagamento avulso com cartão de crédito ou débito e QR code dinâmico seguro.
  3. [3]Autocharge vs Plug & Charge (ISO 15118): What’s the difference—and what comes next?. Charged EVs, 2026.Autocharge usa um identificador do carro, sem criptografia; Plug & Charge usa certificados digitais; a UE exigirá ISO 15118-20 a partir de 2027.
  4. [4]ISO 15118. Wikipedia.Partes da norma: 15118-2 (2014), 15118-3 (2015), 15118-1 (2019), 15118-20 (2022); Plug & Charge com troca de certificados.
  5. [5]ISO 15118-20:2022 — Road vehicles — Vehicle to grid communication interface — Part 20: 2nd generation network layer and application layer requirements. ISO / IEC (catálogo), 2022.Segunda geração da comunicação entre carro e estação, incluindo transferência bidirecional.
Sobre este conteúdo
Texto informativo, escrito pela equipe da ProSmart EV a partir das fontes listadas. Não substitui o projeto elétrico com ART, a orientação da administradora nem a análise de um advogado de condomínio. Normas e leis mudam: confira sempre a versão em vigor. Achou algo errado ou desatualizado? Avise a gente.

Vamos conversar sobre o seu prédio?

Conte quantas vagas e quantos carros elétricos o condomínio tem hoje. A gente responde com o caminho mais simples, sem compromisso.