Para cobrar a energia de cada morador, a estação de recarga precisa saber de quem é cada recarga. Há várias formas de fazer isso: encostar um cartão RFID, iniciar pelo aplicativo, digitar o número da estação, deixar o carro ser reconhecido ao plugar (o que o mercado chama de Plug & Charge) ou, na vaga privativa, liberar a recarga sem identificação. Cada uma tem prós, contras e um comportamento diferente quando a internet cai.
Por que a estação precisa saber quem é
Numa casa, a estação pode simplesmente ligar quando o carro pluga: quem paga é o dono da conta de luz. No condomínio, a energia sai do medidor do prédio, e a identificação é o que permite:
- lançar a energia de cada recarga na fatura do morador certo;
- impedir que alguém use a estação de outro apartamento;
- aplicar regras do condomínio, como o bloqueio de quem está inadimplente;
- organizar a fila e as prioridades quando a energia do prédio é dividida.
Por baixo de todas as formas, o caminho é parecido. A estação recebe um identificador (o número do cartão, um código vindo do app, o identificador do carro) e pergunta ao sistema se aquele usuário pode carregar. Esse diálogo acontece pelo protocolo OCPP, explicado em OCPP: o protocolo aberto.
As formas de se identificar
Cartão RFID
O cartão RFID é um cartão de proximidade, como um crachá de empresa ou um cartão de transporte. Ao encostar no leitor da estação, ela lê o número único do cartão e consulta o sistema. Se estiver liberado, a recarga começa.
A grande vantagem é funcionar mesmo sem internet. O OCPP 1.6 prevê uma lista local de autorização, guardada na própria estação ou num equipamento do prédio, com os cartões liberados.[1] Outra vantagem é a organização: com um cartão por carro, a fatura separa o consumo de cada veículo da família.
Os pontos fracos são os de qualquer cartão: perde-se, empresta-se e, nos modelos mais simples, pode ser copiado. Por isso o cartão perdido precisa ser bloqueado na plataforma assim que o morador avisa.
O cadastro costuma ser simples: o cartão é ligado à conta do morador na plataforma, em geral encostando-o na estação durante o cadastro, para que o sistema aprenda o número. A partir daí, aquele cartão vale para as estações que o condomínio liberar para o morador: a da vaga dele e, se houver, as rotativas.
Aplicativo e número da estação
Pelo app, o morador escolhe a estação e toca em iniciar. O sistema manda à estação a ordem de começar, e a recarga já nasce ligada à conta dele. Uma variação, útil nas estações compartilhadas, é digitar no app o número da estação, escrito nela.
É prático e dispensa cartão, mas depende de duas conexões ao mesmo tempo: o celular do morador e a estação (ou o prédio) precisam estar com internet. Em garagem de subsolo, onde o sinal do celular costuma ser fraco, isso pesa. As versões mais novas do OCPP ampliam esse leque, com QR code dinâmico e pagamento avulso com cartão de crédito ou débito.[2]
Recarga livre na vaga privativa
Na vaga de um morador só, pode fazer sentido liberar a recarga sem identificação: plugou, carregou. Quem paga é o dono da vaga, porque a estação é dele. É o modo mais simples para o morador, mas só serve onde ninguém mais tem acesso ao carregador. Em vaga compartilhada, a recarga livre jogaria a conta de todo mundo num apartamento só.
Plug & Charge: dois sentidos para o mesmo nome
“Plug & Charge” quer dizer “plugou, carregou”: o carro é reconhecido pelo próprio cabo e a recarga começa sem cartão nem app. Na prática do mercado, o nome cobre duas tecnologias diferentes.
Reconhecimento pelo identificador do carro
Muitos carros, ao plugar, enviam à estação um identificador do seu módulo de comunicação (chamado EVCCID, quase sempre derivado do endereço de rede do carro). O sistema associa esse identificador a um morador cadastrado e autoriza a recarga. No exterior, isso é chamado de Autocharge. É simples e não exige nada do fabricante do carro além de enviar o identificador, mas não usa criptografia: é um identificador, não uma assinatura.[3]
O Plug & Charge da ISO 15118
A forma completa vem da norma ISO 15118, que define a comunicação digital entre carro e estação. A parte 2, publicada em 2014, trouxe o Plug & Charge com certificados digitais: o carro guarda um certificado de contrato e prova, com criptografia, que ele é legítimo.[4] A parte 20, de 2022, é a segunda geração dessa comunicação e inclui a recarga bidirecional.[5] Esse modelo exige uma cadeia de certificados que envolve a montadora, o operador da rede de recarga e o provedor do contrato, e já é usado em redes de recarga rápida na Europa e nos Estados Unidos. A União Europeia vai exigir suporte à ISO 15118-20 nos pontos de recarga públicos a partir de 2027.[3]
Vaga fixa e vaga rotativa
A escolha da forma de identificação muda com o tipo de vaga. Na vaga fixa, a estação é de um morador só: o importante é impedir que outra pessoa use, e qualquer forma serve, inclusive a recarga livre. Na vaga rotativa, a estação é compartilhada por vários moradores, e a identificação é o que separa a conta de cada um. Ali, cartão, app, número da estação e reconhecimento do carro funcionam; a recarga livre, não.
No rotativo aparece ainda uma questão de convivência: o carro que terminou de carregar e continua na vaga ocupa o lugar de outro. A identificação permite saber de quem é o carro e, se o condomínio quiser, cobrar pelo tempo parado depois da recarga. O tema está em vagas rotativas no condomínio.
As formas lado a lado
| Forma | O que o morador faz | Precisa de internet? | Bom para |
|---|---|---|---|
| Cartão RFID | Encosta o cartão | Não, com decisão local | Fixo e rotativo; um cartão por carro |
| App | Toca em iniciar | Sim | Quem não quer cartão |
| Número da estação | Digita no app | Sim | Estações compartilhadas |
| Plug & Charge | Só pluga | Não, com decisão local | Carro que se apresenta |
| Livre | Só pluga | Não | Vaga privativa |
- O que o morador faz:
- Encosta o cartão
- Precisa de internet?:
- Não, com decisão local
- Bom para:
- Fixo e rotativo; um cartão por carro
- O que o morador faz:
- Toca em iniciar
- Precisa de internet?:
- Sim
- Bom para:
- Quem não quer cartão
- O que o morador faz:
- Digita no app
- Precisa de internet?:
- Sim
- Bom para:
- Estações compartilhadas
- O que o morador faz:
- Só pluga
- Precisa de internet?:
- Não, com decisão local
- Bom para:
- Carro que se apresenta
- O que o morador faz:
- Só pluga
- Precisa de internet?:
- Não
- Bom para:
- Vaga privativa
E quando a internet cai
A diferença entre as formas aparece aqui. O cartão e o reconhecimento do carro dependem só de uma consulta, que pode ser respondida dentro do prédio. O app depende de levar a ordem do celular até a estação, e isso só acontece com conexão. Por isso, num condomínio, vale ter sempre pelo menos uma forma que funcione sem internet, normalmente o cartão. O tema completo está em e se a internet cair.
O titular cadastra os dois carros e um cartão para cada um. No dia a dia, um dos carros é reconhecido ao plugar e o outro usa o cartão. A fatura mensal mostra o consumo de cada carro separado. Se a internet do prédio cair à noite, os dois continuam carregando.
Segurança e cuidados
Na ProSmart EV
Na plataforma ProSmart EV, o condomínio escolhe como cada estação é liberada: pelo app, por cartão RFID, pelo número da estação, por Plug & Charge (o carro cadastrado é reconhecido ao plugar) ou no modo livre, em que paga o dono da vaga. O ProDemand decide no prédio: se a internet ou a plataforma cair, cartão RFID, Plug & Charge, controle de demanda e bloqueio continuam funcionando, e só iniciar pelo app e acompanhar ao vivo dependem da conexão. O que o morador vê no celular está em app do morador.
Resumo
- A identificação é o que permite cobrar cada morador e aplicar as regras do condomínio.
- Cartão RFID funciona sem internet quando a decisão é local, e separa o consumo por carro.
- App e número da estação são práticos, mas precisam de conexão.
- Plug & Charge pode ser o reconhecimento pelo identificador do carro ou a versão com certificados da ISO 15118.
- Recarga livre só faz sentido na vaga privativa.