A melhor estação para o condomínio não é a mais potente nem a mais barata: é a que conversa com a plataforma que vai medir e cobrar, combina com a ligação elétrica da vaga e com o carro do morador, aguenta a garagem e tem quem dê assistência. Este guia percorre os pontos da ficha técnica que fazem diferença, na ordem em que vale conferir.
1. Comece pela plataforma: OCPP 1.6J e homologação
No condomínio, a estação não trabalha sozinha. Ela precisa mandar a medição de cada recarga, receber limites de potência do gerenciador de demanda e obedecer ao bloqueio de inadimplente. Tudo isso passa pelo protocolo aberto OCPP, e a versão que o mercado usa é a 1.6J. Sem ele, não há medição por apartamento nem controle de demanda. Os detalhes estão em OCPP: o protocolo aberto.
Mas falar OCPP não basta. Cada fabricante interpreta alguns detalhes do protocolo do seu jeito, e a única forma de saber se tudo funciona junto é a homologação: o teste de ponta a ponta do modelo com a plataforma. Confira antes de comprar, e confirme que o modelo é a versão com comunicação, porque alguns são vendidos também em versão sem rede.
2. Potência e ligação da vaga
Para vaga de condomínio, a estação de 7,4 kW monofásica atende quase todo mundo: uma noite de recarga dá energia de sobra para o uso diário, e os carregadores de bordo de muitos carros ficam por volta de 6,6 a 7 kW. Estação trifásica de 11 ou 22 kW só faz sentido se o prédio tiver rede 220/380 V e o carro aceitar recarga trifásica.
Esse ponto não se decide sozinho: a ligação de cada vaga sai do projeto elétrico do integrador. A explicação completa está em potência de recarga: 7, 11 ou 22 kW.
3. Conector e cabo: preso ou tomada
O conector é Tipo 2, padrão dos carros vendidos no Brasil. A escolha que sobra é entre duas montagens:
| Montagem | Vantagens | Cuidados |
|---|---|---|
| Cabo preso | Mais prático: chegou, plugou | Cabo fica exposto a pisão, roda e manobra |
| Tomada Tipo 2 | Cada um usa o próprio cabo; atende carro Tipo 1 com cabo adaptado | O morador precisa guardar e levar o cabo |
- Vantagens:
- Mais prático: chegou, plugou
- Cuidados:
- Cabo fica exposto a pisão, roda e manobra
- Vantagens:
- Cada um usa o próprio cabo; atende carro Tipo 1 com cabo adaptado
- Cuidados:
- O morador precisa guardar e levar o cabo
Em vaga privativa, o cabo preso costuma ser mais cômodo. Em ponto compartilhado ou de acesso mais aberto, a tomada tem uma vantagem a mais: segundo a ABVE, o Tipo 2 permite retirar o cabo da estação, o que reduz furto e vandalismo.[1] Os diferentes conectores estão em conectores Tipo 1, Tipo 2, CCS2 e GB/T.
4. Proteções embutidas
Uma boa ficha técnica lista as proteções que a estação tem por dentro. Como exemplo, a ficha de uma estação de 11 kW vendida no país informa proteção contra sobrecorrente, corrente residual, surtos, sobretensão, subtensão, variação de frequência e temperatura, além de detecção de corrente de fuga contínua de 6 mA.[2]
Esse último item merece atenção. O carro pode gerar uma pequena corrente de fuga contínua, que atrapalha o funcionamento de alguns tipos de DR (o dispositivo que protege as pessoas contra choque). Quando a estação detecta essa fuga sozinha, isso influencia qual DR o projeto vai prever no quadro. Quem decide é o projetista, e o assunto completo está em proteções: DR, DPS e disjuntores.
5. Grau de proteção IP e resistência a impacto IK
O código IP, da norma IEC 60529, diz quanto o equipamento resiste a poeira e água. O primeiro dígito é a poeira, o segundo é a água.[3] O código IK, da IEC 62262, diz quanto ele aguenta de pancada, em joules.[4]
| Código | O que significa | Na garagem |
|---|---|---|
| IP54 | Protegido contra poeira e respingos de qualquer direção | Garagem coberta e seca |
| IP55 | Protegido contra poeira e jatos de água de baixa pressão | Garagem lavada com mangueira |
| IP65 | Vedado contra poeira e protegido contra jatos de água | Área descoberta ou mais exposta |
| IK08 | Resiste a impacto de 5 J | Vaga com pouca circulação |
| IK10 | Resiste a impacto de 20 J | Ponto exposto a batida e vandalismo |
- O que significa:
- Protegido contra poeira e respingos de qualquer direção
- Na garagem:
- Garagem coberta e seca
- O que significa:
- Protegido contra poeira e jatos de água de baixa pressão
- Na garagem:
- Garagem lavada com mangueira
- O que significa:
- Vedado contra poeira e protegido contra jatos de água
- Na garagem:
- Área descoberta ou mais exposta
- O que significa:
- Resiste a impacto de 5 J
- Na garagem:
- Vaga com pouca circulação
- O que significa:
- Resiste a impacto de 20 J
- Na garagem:
- Ponto exposto a batida e vandalismo
Na garagem, o risco mais comum é a batida de para-choque e a água da limpeza. Estação no caminho das manobras pede IK maior ou uma proteção física, como um batente na parede.
Onde e como a estação vai ficar
Antes de escolher o modelo, olhe a vaga. A estação precisa ficar onde o cabo alcance a entrada de recarga do carro sem esticar e sem atravessar a passagem de outros carros. A posição da entrada varia de modelo para modelo (frente, traseira, lateral), e o cabo comprido demais também atrapalha, porque fica no chão. Um suporte para enrolar o cabo na parede ajuda a mantê-lo longe das rodas.
Em vagas sem parede próxima, a solução costuma ser um pedestal, vendido à parte por muitos fabricantes. A altura de instalação, a fixação e a distância até o quadro saem do projeto do integrador.
6. Identificação e comunicação
Confira como a estação identifica o morador. Leitor de cartão RFID embutido é o mais útil no condomínio, porque permite separar o consumo por carro e continua funcionando quando a decisão é feita no prédio. As formas de identificação estão em cartão RFID, app ou Plug & Charge.
Na comunicação, veja quais caminhos a estação aceita: cabo de rede, Wi-Fi ou chip 4G. Em subsolo, o Wi-Fi do prédio muitas vezes não chega bem às vagas, e o cabo de rede costuma ser o caminho mais estável. Isso precisa entrar no projeto, junto com a parte elétrica.
7. Normas e certificação
As referências internacionais são a IEC 61851-1, que traz os requisitos gerais dos equipamentos de recarga por cabo, inclusive de segurança elétrica,[5] e a IEC 62196-2, que define os plugues e tomadas de corrente alternada.[6] Peça ao fornecedor o relatório de ensaio ou o certificado com essas normas.
No Brasil, existe certificação do Inmetro para estações de recarga, emitida por organismos acreditados com base na ABNT NBR IEC 61851-1:2021. Quando a primeira foi entregue, em 2024, ela era voluntária, e o Inmetro sinalizou a intenção de torná-la compulsória no futuro.[7] Confira a situação atual no Inmetro antes de comprar. Estação com certificado é um bom sinal; sem certificado, peça pelo menos os ensaios.
8. Garantia, assistência e firmware
O prazo de garantia varia de fabricante para fabricante; a ficha usada como exemplo neste artigo informa 2 anos.[2] Mais importante que o número é saber quem atende: se há assistência técnica no Brasil, em quanto tempo troca uma peça e se a garantia vale quando a instalação é feita por um integrador credenciado.
Pergunte também sobre o firmware, o programa interno da estação. Correções e melhorias chegam por atualização, que pode ser enviada pela rede, via OCPP, sem visita técnica. Fabricante que não atualiza deixa a estação parada no tempo.
Checklist para levar à reunião
Próximos passos
Na ProSmart EV, a estação indicada para vaga de condomínio é a de 7,4 kW com OCPP 1.6J, homologada na plataforma; a lista dos modelos já testados fica em estações compatíveis. Se o condomínio já tem estações, conferimos o modelo antes. Para seguir:
- Use o pedido de proposta para comparar orçamentos com o mesmo escopo.
- Na entrega da obra, confira tudo com o checklist de recebimento.
- Veja onde encontrar estações com OCPP em estações.
- Fale com um integrador credenciado, que faz o projeto e a obra com ART.