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Tecnologia

Como escolher a estação de recarga (wallbox) para o condomínio

O que conferir antes de comprar: OCPP e homologação, potência e ligação, cabo preso ou tomada, proteções embutidas, IP e IK, identificação, certificação, garantia e firmware.

17 de outubro de 20267 min de leituraNível intermediárioPara síndico, morador, integrador, construtora, projetista
Neste artigo
O que você vai entender
  • Qual carregador de carro elétrico comprar para o condomínio?
  • O que olhar na ficha técnica de um wallbox?
  • Carregador com cabo preso ou com tomada: qual é melhor?
  • O que significam IP65 e IK10 no carregador?
  • Carregador de carro elétrico precisa de certificação do Inmetro?

A melhor estação para o condomínio não é a mais potente nem a mais barata: é a que conversa com a plataforma que vai medir e cobrar, combina com a ligação elétrica da vaga e com o carro do morador, aguenta a garagem e tem quem dê assistência. Este guia percorre os pontos da ficha técnica que fazem diferença, na ordem em que vale conferir.

1. Comece pela plataforma: OCPP 1.6J e homologação

No condomínio, a estação não trabalha sozinha. Ela precisa mandar a medição de cada recarga, receber limites de potência do gerenciador de demanda e obedecer ao bloqueio de inadimplente. Tudo isso passa pelo protocolo aberto OCPP, e a versão que o mercado usa é a 1.6J. Sem ele, não há medição por apartamento nem controle de demanda. Os detalhes estão em OCPP: o protocolo aberto.

Mas falar OCPP não basta. Cada fabricante interpreta alguns detalhes do protocolo do seu jeito, e a única forma de saber se tudo funciona junto é a homologação: o teste de ponta a ponta do modelo com a plataforma. Confira antes de comprar, e confirme que o modelo é a versão com comunicação, porque alguns são vendidos também em versão sem rede.

2. Potência e ligação da vaga

Para vaga de condomínio, a estação de 7,4 kW monofásica atende quase todo mundo: uma noite de recarga dá energia de sobra para o uso diário, e os carregadores de bordo de muitos carros ficam por volta de 6,6 a 7 kW. Estação trifásica de 11 ou 22 kW só faz sentido se o prédio tiver rede 220/380 V e o carro aceitar recarga trifásica.

Esse ponto não se decide sozinho: a ligação de cada vaga sai do projeto elétrico do integrador. A explicação completa está em potência de recarga: 7, 11 ou 22 kW.

3. Conector e cabo: preso ou tomada

O conector é Tipo 2, padrão dos carros vendidos no Brasil. A escolha que sobra é entre duas montagens:

Cabo preso
Vantagens:
Mais prático: chegou, plugou
Cuidados:
Cabo fica exposto a pisão, roda e manobra
Tomada Tipo 2
Vantagens:
Cada um usa o próprio cabo; atende carro Tipo 1 com cabo adaptado
Cuidados:
O morador precisa guardar e levar o cabo

Em vaga privativa, o cabo preso costuma ser mais cômodo. Em ponto compartilhado ou de acesso mais aberto, a tomada tem uma vantagem a mais: segundo a ABVE, o Tipo 2 permite retirar o cabo da estação, o que reduz furto e vandalismo.[1] Os diferentes conectores estão em conectores Tipo 1, Tipo 2, CCS2 e GB/T.

4. Proteções embutidas

Uma boa ficha técnica lista as proteções que a estação tem por dentro. Como exemplo, a ficha de uma estação de 11 kW vendida no país informa proteção contra sobrecorrente, corrente residual, surtos, sobretensão, subtensão, variação de frequência e temperatura, além de detecção de corrente de fuga contínua de 6 mA.[2]

Esse último item merece atenção. O carro pode gerar uma pequena corrente de fuga contínua, que atrapalha o funcionamento de alguns tipos de DR (o dispositivo que protege as pessoas contra choque). Quando a estação detecta essa fuga sozinha, isso influencia qual DR o projeto vai prever no quadro. Quem decide é o projetista, e o assunto completo está em proteções: DR, DPS e disjuntores.

Proteção da estação não substitui a do quadro
As proteções embutidas complementam, não substituem, o disjuntor, o DR e o DPS do circuito da vaga. O circuito é dimensionado e protegido pelo integrador, conforme o projeto e as normas.

5. Grau de proteção IP e resistência a impacto IK

O código IP, da norma IEC 60529, diz quanto o equipamento resiste a poeira e água. O primeiro dígito é a poeira, o segundo é a água.[3] O código IK, da IEC 62262, diz quanto ele aguenta de pancada, em joules.[4]

IP54
O que significa:
Protegido contra poeira e respingos de qualquer direção
Na garagem:
Garagem coberta e seca
IP55
O que significa:
Protegido contra poeira e jatos de água de baixa pressão
Na garagem:
Garagem lavada com mangueira
IP65
O que significa:
Vedado contra poeira e protegido contra jatos de água
Na garagem:
Área descoberta ou mais exposta
IK08
O que significa:
Resiste a impacto de 5 J
Na garagem:
Vaga com pouca circulação
IK10
O que significa:
Resiste a impacto de 20 J
Na garagem:
Ponto exposto a batida e vandalismo
Fontes: TÜV Rheinland (IEC 60529) e EN 62262 (equivalente da IEC 62262). A indicação de uso é orientação geral.

Na garagem, o risco mais comum é a batida de para-choque e a água da limpeza. Estação no caminho das manobras pede IK maior ou uma proteção física, como um batente na parede.

Onde e como a estação vai ficar

Antes de escolher o modelo, olhe a vaga. A estação precisa ficar onde o cabo alcance a entrada de recarga do carro sem esticar e sem atravessar a passagem de outros carros. A posição da entrada varia de modelo para modelo (frente, traseira, lateral), e o cabo comprido demais também atrapalha, porque fica no chão. Um suporte para enrolar o cabo na parede ajuda a mantê-lo longe das rodas.

Em vagas sem parede próxima, a solução costuma ser um pedestal, vendido à parte por muitos fabricantes. A altura de instalação, a fixação e a distância até o quadro saem do projeto do integrador.

6. Identificação e comunicação

Confira como a estação identifica o morador. Leitor de cartão RFID embutido é o mais útil no condomínio, porque permite separar o consumo por carro e continua funcionando quando a decisão é feita no prédio. As formas de identificação estão em cartão RFID, app ou Plug & Charge.

Na comunicação, veja quais caminhos a estação aceita: cabo de rede, Wi-Fi ou chip 4G. Em subsolo, o Wi-Fi do prédio muitas vezes não chega bem às vagas, e o cabo de rede costuma ser o caminho mais estável. Isso precisa entrar no projeto, junto com a parte elétrica.

7. Normas e certificação

As referências internacionais são a IEC 61851-1, que traz os requisitos gerais dos equipamentos de recarga por cabo, inclusive de segurança elétrica,[5] e a IEC 62196-2, que define os plugues e tomadas de corrente alternada.[6] Peça ao fornecedor o relatório de ensaio ou o certificado com essas normas.

No Brasil, existe certificação do Inmetro para estações de recarga, emitida por organismos acreditados com base na ABNT NBR IEC 61851-1:2021. Quando a primeira foi entregue, em 2024, ela era voluntária, e o Inmetro sinalizou a intenção de torná-la compulsória no futuro.[7] Confira a situação atual no Inmetro antes de comprar. Estação com certificado é um bom sinal; sem certificado, peça pelo menos os ensaios.

8. Garantia, assistência e firmware

O prazo de garantia varia de fabricante para fabricante; a ficha usada como exemplo neste artigo informa 2 anos.[2] Mais importante que o número é saber quem atende: se há assistência técnica no Brasil, em quanto tempo troca uma peça e se a garantia vale quando a instalação é feita por um integrador credenciado.

Pergunte também sobre o firmware, o programa interno da estação. Correções e melhorias chegam por atualização, que pode ser enviada pela rede, via OCPP, sem visita técnica. Fabricante que não atualiza deixa a estação parada no tempo.

Checklist para levar à reunião

Faça
OCPP 1.6J escrito na ficha e homologação na plataforma confirmada
Potência e ligação conferidas com o projeto e com os carros dos moradores
Proteções embutidas listadas, incluindo detecção de 6 mA CC
IP e IK compatíveis com o local da vaga
Leitor RFID e caminho de comunicação viável na garagem
Garantia, assistência técnica e atualização de firmware por escrito
Evite
Estação sem protocolo aberto ou só com app do fabricante
Versão sem rede de um modelo que tem versão com OCPP
Comprar antes do projeto elétrico
Decidir só pelo preço ou pela maior potência
Ficha técnica sem normas, sem certificado e sem ensaio

Próximos passos

Na ProSmart EV, a estação indicada para vaga de condomínio é a de 7,4 kW com OCPP 1.6J, homologada na plataforma; a lista dos modelos já testados fica em estações compatíveis. Se o condomínio já tem estações, conferimos o modelo antes. Para seguir:

Fontes e referências

  1. [1]Padronização das conexões de recarga de veículos elétricos no Brasil — apresentação da ABVE. ABVE / Câmara dos Deputados, 2023.O Tipo 2 permite retirar o cabo AC da estação, o que reduz furto e vandalismo em pontos públicos.
  2. [2]EVE 0110C — Estação de recarga tipo 2 de 11 kW, datasheet rev. 1.6. Intelbras, 2023.Exemplo de ficha técnica: IP65, detecção de 6 mA CC, OCPP 1.6 JSON, leitor RFID, lista de proteções, normas IEC 61851-1 e IEC 62196, garantia.
  3. [3]IP testing (IEC 60529). TÜV Rheinland.Primeiro dígito do código IP: poeira (5 = protegido, 6 = vedado); segundo dígito: água (4 = respingos, 5 = jatos de baixa pressão).
  4. [4]EN 62262 (código IK). Wikipedia.Equivalente europeia da IEC 62262: IK07 = 2 J, IK08 = 5 J, IK09 = 10 J, IK10 = 20 J.
  5. [5]IEC 61851-1:2017 — Electric vehicle conductive charging system, Part 1: General requirements. IEC, 2017.Requisitos gerais dos equipamentos de recarga por cabo, inclusive segurança elétrica.
  6. [6]IEC 62196-2 — Plugs, socket-outlets, vehicle connectors and vehicle inlets, Part 2. IEC, 2022.Dimensões e intercambiabilidade dos plugues e tomadas AC, como o Tipo 2.
  7. [7]WEG conquista primeira certificação do Inmetro para estações de recarga de veículos elétricos no Brasil. Cenário Energia, 2024.Certificação voluntária, com base na ABNT NBR IEC 61851-1:2021 e na Portaria Inmetro nº 200/2021; o Inmetro indicou intenção de torná-la compulsória no futuro.
Sobre este conteúdo
Texto informativo, escrito pela equipe da ProSmart EV a partir das fontes listadas. Não substitui o projeto elétrico com ART, a orientação da administradora nem a análise de um advogado de condomínio. Normas e leis mudam: confira sempre a versão em vigor. Achou algo errado ou desatualizado? Avise a gente.

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