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Segurança

Incêndio em carro elétrico na garagem: o que os dados mostram e o que muda no prédio

Carro elétrico pega fogo mais que carro a combustão? Os números de agências públicas, por que o combate é diferente, casos famosos explicados e o que o projeto da garagem prevê.

17 de outubro de 20268 min de leituraNível intermediárioPara síndico, morador, administradora, construtora
Neste artigo
O que você vai entender
  • Carro elétrico pega fogo mais que carro a gasolina?
  • Carregar carro elétrico na garagem do prédio causa incêndio?
  • Por que incêndio em carro elétrico é mais difícil de apagar?
  • O que o condomínio precisa ter para evitar incêndio na recarga?
  • O incêndio do aeroporto de Luton foi causado por carro elétrico?

Os dados públicos disponíveis apontam na mesma direção: carros elétricos e híbridos plug-in pegam fogo com menos frequência que os carros a combustão. Quando pegam, porém, o fogo é diferente: a bateria de lítio pode manter a queima por muito tempo e voltar a acender depois de apagada. Por isso o que muda numa garagem com recarga não é o risco de existir incêndio, e sim como o prédio se prepara para desligar a energia, evacuar e deixar o Corpo de Bombeiros trabalhar.

Este artigo reúne o que agências públicas e corpos de bombeiros publicaram, explica dois casos famosos que costumam ser contados pela metade e mostra o que as normas pedem do projeto.

O que os números mostram

A agência dinamarquesa de gestão de emergências acompanha os incêndios em carros elétricos e híbridos desde 2018. Em 2022, a Dinamarca registrou 20 incêndios envolvendo esses carros, o que equivale a 1,1 incêndio por 10.000 elétricos e híbridos registrados. Em todos os anos analisados, a taxa foi menor que a dos demais carros.[1]

1,1
incêndio por 10.000 elétricos e híbridos, Dinamarca, 2022[1]
0,4
por 10.000 na Suécia, mesmo ano[1]
0,5
por 10.000 na Noruega, mesmo ano[1]

A mesma publicação compara os países vizinhos: Suécia e Noruega ficaram em 0,4 e 0,5 incêndio por 10.000 elétricos e híbridos. A comparação tem limites, porque cada país conta de um jeito (a agência sueca, por exemplo, não inclui incêndios criminosos), mas o padrão se repete nos três: elétricos e híbridos queimam menos que os demais carros.[1]

Leia os números com cuidado
Os carros elétricos da frota são, em média, muito mais novos. Na Dinamarca, os carros a combustão que pegaram fogo tinham em média cerca de 10 anos; os elétricos e híbridos, cerca de 2.[1] Idade pesa no risco de incêndio. Os dados mostram que o elétrico não é mais perigoso, mas ainda não permitem dizer exatamente quanto mais seguro ele é ao longo da vida inteira.

Quantos pegam fogo durante a recarga

A pergunta do síndico é outra: e na recarga? Dos 76 incêndios com elétricos e híbridos registrados na Dinamarca entre janeiro de 2018 e junho de 2023, em 4 o carro estava carregando. No mesmo levantamento, 18 foram incêndios criminosos e 8 começaram em outro lugar e se espalharam até o carro. Na Suécia, de 81 carros elétricos e híbridos que queimaram entre 2018 e 2022, 18 estavam em recarga.[1]

Os casos criminosos e os de fogo que começa em outro ponto reforçam uma ideia simples para a garagem: o risco de incêndio existe com qualquer carro estacionado, e a proteção do prédio precisa considerar a garagem inteira, não só as vagas com estação.

Ou seja: a recarga responde por uma parte minoritária dos casos, mas não desprezível. E é a parte em que a instalação do prédio tem influência direta. Circuito certo, proteções certas, estação certificada e manutenção reduzem justamente o risco que depende do condomínio. O que isso significa na prática está em por que não carregar em tomada comum.

Por que o fogo é diferente

Uma bateria de tração tem centenas ou milhares de células. Quando uma célula danificada esquenta sem controle, a reação aquece as vizinhas, que também entram em reação: é a fuga térmica. O órgão de segurança de transportes dos Estados Unidos (NTSB) aponta a fuga térmica e as múltiplas reignições depois do primeiro combate como riscos centrais desses incêndios, e explica que a energia que fica retida numa bateria danificada mantém o risco de choque e de o fogo voltar.[2]

O Corpo de Bombeiros de Santa Catarina resume o que isso significa no combate: o incêndio é mais difícil de apagar, exige quantidade de água bem maior, gera mais calor e libera diferentes gases tóxicos, e pode voltar a pegar fogo mesmo depois de apagado.[3] Em garagem fechada, calor e fumaça se acumulam, e a prioridade é tirar as pessoas e dar condição para a equipe trabalhar.

Frequência de incêndio
Carro a combustão:
Maior, nos dados disponíveis
Carro elétrico:
Menor, nos dados disponíveis
Fonte principal de energia no fogo
Carro a combustão:
Combustível e materiais do carro
Carro elétrico:
Bateria, além dos materiais do carro
Duração e reignição
Carro a combustão:
Apagado, em geral não volta
Carro elétrico:
Pode voltar a acender depois de apagado
Água no combate
Carro a combustão:
Quantidade usual
Carro elétrico:
Quantidade bem maior
Síntese a partir da agência dinamarquesa (frequência), do NTSB e do CBMSC (comportamento do fogo).

Dois casos famosos e o que eles ensinam

Luton, Reino Unido, 2023

O incêndio que destruiu um edifício-garagem do aeroporto de Luton, em outubro de 2023, foi muito associado a carros elétricos nas redes sociais. O relatório do serviço de bombeiros local concluiu que o veículo de origem era a diesel, não elétrico nem híbrido plug-in; o fogo, acidental, começou no compartimento do motor. O mesmo relatório observa que um sistema de chuveiros automáticos adequado poderia ter alterado e retardado a propagação.[4]

Incheon, Coreia do Sul, 2024

Em agosto de 2024, um carro elétrico pegou fogo na garagem subterrânea de um condomínio em Incheon, e 140 carros foram danificados, 40 totalmente queimados. Dois detalhes costumam ficar de fora: o carro não estava conectado ao carregador, e a investigação preliminar dos bombeiros apontou que a válvula do sistema de chuveiros automáticos tinha sido desligada pela administração logo depois do alarme.[5]

As duas lições se parecem. Garagem com muitos carros, de qualquer tipo, depende dos sistemas de incêndio do prédio funcionando e mantidos. E um sistema que existe mas é desligado na hora errada não protege ninguém.

O que muda no projeto da garagem

É por isso que as normas estaduais publicadas em 2026 tratam a garagem com recarga como um caso próprio. Em Santa Catarina, por exemplo, há um ponto de desligamento manual de todas as estações em cada pavimento, perto do acesso; afastamento mínimo de 5 m entre a vaga com recarga e a saída quando só existe uma rota de fuga; detecção automática nos locais cobertos, salvo as dispensas previstas; e elementos estruturais próximos capazes de resistir ao calor de um incêndio de bateria.[6] Em Minas Gerais, o desligamento manual aparece em três níveis: junto à estação, no acesso do pavimento e no quadro principal.[7]

O desligamento não apaga o fogo da bateria, que tem energia própria. Ele serve para que os carregadores e os cabos parem de receber energia da rede, para que ninguém combata perto de circuito energizado e para que outras vagas não continuem carregando no meio da ocorrência. O resumo por estado está em NBR 17019 e Corpo de Bombeiros.

Mitos e o que os dados dizem

“Carro elétrico pega fogo à toa.”
O que as fontes mostram:
Nos dados públicos, pega fogo com menos frequência que os demais[1]
“O incêndio de Luton foi de um elétrico.”
O que as fontes mostram:
O veículo de origem era a diesel[4]
“A maioria pega fogo carregando.”
O que as fontes mostram:
Minoria: 4 de 76 casos na Dinamarca, 18 de 81 na Suécia[1]
“Desligar o carregador apaga o fogo.”
O que as fontes mostram:
Não: a bateria guarda energia própria e pode reacender[2]
“Água não adianta.”
O que as fontes mostram:
Adianta, mas em quantidade bem maior; quem combate é o bombeiro[3]

O que o condomínio e o morador podem fazer

Faça
Recarga só em estação fixa, com circuito próprio, projeto e ART
Desligamento de emergência sinalizado e conhecido por porteiros e zeladores
Sistemas de incêndio do prédio em dia: alarme, extintores, hidrantes e, onde houver, chuveiros
Rotas de fuga da garagem livres e sinalizadas
Manutenção periódica da instalação de recarga
Em caso de fogo: sair da garagem, ligar 193 e acionar o alarme
Evite
Tomada comum, extensão ou adaptador para carregar carro
Desligar ou bloquear o sistema de chuveiros por alarme falso sem verificar
Tentar apagar sozinho um incêndio de bateria
Carregar um carro com bateria danificada por batida sem avaliação da assistência
Entulho e materiais inflamáveis guardados nas vagas

A orientação do Corpo de Bombeiros de Santa Catarina para o caso de incêndio é direta: evacuar a edificação imediatamente e ligar 193, com todos os sistemas preventivos e as rotas de fuga em perfeito funcionamento.[3]

Se notar fumaça ou cheiro de queimado numa vaga

  1. Não toque no carro, no cabo nem na estação.
  2. Se o caminho estiver livre e seguro, acione o botão de desligamento de emergência dos carregadores.
  3. Acione o alarme de incêndio do prédio e avise a portaria.
  4. Saia da garagem pela rota de fuga e ligue 193, dizendo que há um carro elétrico envolvido.
  5. Não volte para buscar nada, nem para tirar outros carros.

Vale fazer esse roteiro virar procedimento escrito do condomínio, com treinamento de porteiros, zeladores e da brigada, se houver. Saber onde fica o botão de desligamento faz diferença nos primeiros minutos.

Como a ProSmart EV faz

Na ProSmart EV, a instalação é feita por integrador credenciado, com ART, em estações fixas com proteções em cada circuito, e o projeto prevê o seccionamento de emergência dos carregadores, com botão interligado ao sistema de incêndio que o prédio já tem. Detecção, alarme e chuveiros automáticos, quando a norma do estado exige, fazem parte do projeto de incêndio do edifício, feito por profissional dessa área. Mais detalhes em segurança e normas.

Resumo

  • Nos dados de agências públicas, elétricos e híbridos pegam fogo com menos frequência que os demais carros.
  • Quando pegam, o fogo da bateria é mais longo, exige mais água e pode reacender.
  • A recarga é uma parte minoritária dos casos, e é a parte que a instalação do prédio controla.
  • O projeto prevê desligamento de emergência; os sistemas de incêndio do prédio precisam estar funcionando.
  • Leia também as proteções da recarga e manutenção da instalação.

Fontes e referências

  1. [1]Faktaark 2023 — Status på brande med el- og hybridbiler. Beredskabsstyrelsen (Agência Dinamarquesa de Gestão de Emergências), 2023.Incêndios por 10.000 elétricos e híbridos na Dinamarca, Suécia e Noruega (2022); causas registradas e casos durante a recarga de 2018 a junho de 2023.
  2. [2]Safety Risks to Emergency Responders from Lithium-Ion Battery Fires in Electric Vehicles (NTSB/SR-20/01). National Transportation Safety Board (EUA), 2020.Fuga térmica, reignições depois do combate e energia retida na bateria danificada como riscos para as equipes de emergência.
  3. [3]Instalação de estação de recarga para veículos elétricos — cartilha orientativa (capítulo de segurança contra incêndio). FIESC/CDIC, Celesc, CBMSC, CREA-SC e ABVE, 2024.Visão do Corpo de Bombeiros de Santa Catarina: mais água, mais calor, gases tóxicos, reignição; evacuar e ligar 193.
  4. [4]London Luton Airport: Car Park 2 Incident Review. Bedfordshire Fire and Rescue Service (Reino Unido), 2024.O veículo de origem era a diesel, não elétrico nem híbrido plug-in; fogo acidental no compartimento do motor; sprinklers poderiam ter retardado a propagação.
  5. [5]Damage after EV explosion caused by deactivated sprinkler system, fire authorities say. Korea JoongAng Daily, 2024.Incêndio de 01/08/2024 em Incheon: carro não estava conectado ao carregador; válvula dos sprinklers desligada pela administração; 140 carros danificados.
  6. [6]Instrução Normativa 23 — Locais com sistema de alimentação para veículos elétricos. Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, 2026.Desligamento por pavimento, afastamento de saídas, detecção em locais cobertos (salvo dispensas) e estrutura resistente ao calor do fogo da bateria.
  7. [7]Instrução Técnica 30 (3ª edição) — Instalações e equipamentos elétricos, item 8 (SAVE). Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, 2026.Desligamento manual junto à estação, no acesso do pavimento e no quadro principal; proibição de tomadas comuns, adaptadores e extensões.
Sobre este conteúdo
Texto informativo, escrito pela equipe da ProSmart EV a partir das fontes listadas. Não substitui o projeto elétrico com ART, a orientação da administradora nem a análise de um advogado de condomínio. Normas e leis mudam: confira sempre a versão em vigor. Achou algo errado ou desatualizado? Avise a gente.

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